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Escrever ao som de... 2018

 
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A nossa atividade não para e, na semana que passou, tivemos mais alguns poemas que vão constar no nosso ebook, de autores bem conhecidos da nossa casa: Alemtagus, AlexandreCosta, Alpha, Luxena, Benjamin Pó, Liliana Jardim e Aline Lima.
Continuamos à espera de novas colaborações, para o resultado final ser bem representativo da diversidade de talentos do Luso-Poemas.

Nesta semana, vamos recordar o ano de 2018.

A primeira canção intitula-se “Todo Homem” e é de Zeca Veloso, cantor e compositor brasileiro, filho de Caetano Veloso. O tema faz parte do seu disco de estreia e destaca-se pela subtileza do registo musical e vocal. Esta versão tem uma surpresa no final: a presença do pai e do irmão, Moreno. A canção foi tema de abertura da supersérie “Onde nascem os fortes”, o que também contribuiu para a sua maior divulgação junto do público.

A segunda canção é “Eu por Engomar”, interpretada por Cristina Branco, cantora portuguesa que tem explorado o fado em diálogo com outras sonoridades e repertórios. O tema integra o álbum "Branco", um disco construído a partir de colaborações com vários compositores contemporâneos. A canção tem letra de André Henriques e música de Filho da Mãe (Rui Carvalho), e foi a própria cantora a admitir que este é "o tema que mais me toca neste disco".

Zeca Veloso – "Todo Homem"


Cristina Branco – "Eu por Engomar"


O som está lançado. O poema, agora, é seu.

Nota: Caso não se identifique com nenhuma das canções sugeridas, pode inspirar-se numa outra, desde que seja do ano a que se refere o post.


 
Autor
Luso-Poemas
 
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Enviado por Tópico
Alemtagus
Publicado: 04/05/2026 16:53  Atualizado: 04/05/2026 16:53
Moderador
Usuário desde: 24/12/2006
Localidade: Montemor-o-Novo
Mensagens: 4056
 Re: Escrever ao som de... 2018
Deixei o silêncio voar nas folhas amarelas
Onde um pássaro depressa ganhava asas
Que leve batia naquela estranha brisa fria
Sem chorar perdeu uma lágrima por elas
Enquanto desviava dumas telhas de casas
E da loucura os pingos da chuva que caía

Trazia no seu olhar um sorriso e cor iguais
Aos teus tal qual esta fotografia que trago
Agarrada a uma memória do último adeus
Nunca esquecia essa dor que doeu demais
E sempre deixou no peito este lugar vago
Que te espera entre abraços meus e teus

Sonhei o sonho de mais alguém como eu
Ou quem o quisesse fazer igual como nós
Entre gente rara que tão fácil se enamora
Também que raio é esse amor que viveu
Sempre no vento vadio que seguia veloz
De árvore em árvore por minha vida fora

Enviado por Tópico
Luxena
Publicado: 04/05/2026 22:34  Atualizado: 04/05/2026 22:34
Da casa!
Usuário desde: 07/03/2025
Localidade: Brasília
Mensagens: 215
 Re: Escrever ao som de... 2018
Recife Prateado

eu entendi
que Ilahi quer tostão
pra enxergar por fora
por dentro, não

aprendi que a fumaça
embaça os pensamentos
embala o corpo
pra se fazer oco

encher de água cristalina
"pater noster, qui es in caelis
vai trocando estas peles
tira todo o mal que habita"

aquela voz divina
apareceu até no meu sonho
corroía por dentro
defasando o corpo fanho

nunca foi tão bom
eu vou seguindo
vou desacordando, caindo
até...

(inspirado em outra música)

Enviado por Tópico
fracafigura007
Publicado: 04/05/2026 23:58  Atualizado: 04/05/2026 23:58
Muito Participativo
Usuário desde: 01/03/2026
Localidade:
Mensagens: 75
 Re: Escrever ao som de... 2018
Danny Nedelko 2026
Música: Danny Nedelko (Idles)

Ele é meu amigo,
Faz de solução,
E ri se do problema,....

Chuta chuta até mais nao,
Dizendo silêncio,
Ele volta do sol,
Molhado como uma bênção,...

Sim,
Ele é meu amigo,
E tem cor de sangue,
De barro,
De chuva da violência,....

Ele só fala quando lhe pedem,
Ele é meu amigo,
Abençoa a marca suja
Da sua bondade

Enviado por Tópico
Liliana Jardim
Publicado: 06/05/2026 17:43  Atualizado: 06/05/2026 17:43
Colaborador
Usuário desde: 08/10/2007
Localidade: Caniço-Madeira
Mensagens: 4512
 Re: Escrever ao som de... 2018
Eu falo-te de sonho e de mar

No coração do poema
as palavras sussurram poesia
e na inexistência das rimas
desaguam na brancura dos versos

São riachos carregados de vida
flutuando como se dançassem
nas margens engrumes
de um corpo embriagado
são sílabas e consoantes vestidas
de múltiplas sinfonias de cores

Com as minhas mãos tremulas
escrevo prensado no tempo
versos de sonho e de mar
falam de ternura e de querer
de sorrisos e de paz
de quererem ser ou não ser
existência que me apraz

Mas se o silêncio me fala
mais alto, então…
eu falo-te de sonho e de mar

Enviado por Tópico
Alpha
Publicado: 07/05/2026 12:55  Atualizado: 07/05/2026 12:55
Membro de honra
Usuário desde: 14/04/2015
Localidade:
Mensagens: 2321
 Re: Escrever ao som de... 2018
O tempo dá, o tempo tira

O tempo dá
sem pedir licença.

Traz pessoas
instantes
que parecem ficar.

Por um momento
acreditamos
que o agora
sabe durar.

O tempo tira
com a mesma calma.

Leva rostos
lugares
e aquilo em nós
que chamava casa.

Nada volta igual
Só se transforma.

E ainda assim
o tempo continua a dar

Não como retorno
mas como passagem.

E perder
é outra maneira
de nascer em nós!

Enviado por Tópico
AlexandreCosta
Publicado: 08/05/2026 13:57  Atualizado: 08/05/2026 13:57
Administrador
Usuário desde: 06/05/2024
Localidade: Braga
Mensagens: 1560
 Re: Escrever ao som de... 2018
.
"Eu por Engomar" - Cristina Branco


Como o primeiro

algemo-me à raiz donde bebeste
e não deixo que o tempo me habite
que enrugue só a pele, traga artrite
mas não enrugará amor como este

escrevo uns versos-goma, não grafite
mas tinta sangue vivo onde ardeste
e nada apagará tudo o que deste
enquanto dentro um jovem nos recite

de nada importa a vida onde não foste
ao lado, verso cru por uma rima
de frente, o verso nu entregue inteiro

importa-me a lembrança onde me encoste
até uma nova vida, alma acima
e ao mesmo amor de ti, como o primeiro


08-05-2026

Enviado por Tópico
Benjamin Pó
Publicado: 09/05/2026 13:50  Atualizado: 09/05/2026 13:51
Administrador
Usuário desde: 02/10/2021
Localidade:
Mensagens: 945
 Re: Escrever ao som de... 2018
.
cartilha maternal

a minha mãe
nunca pendurou roupa no varal
e eu nunca brinquei
à volta dela no quintal

se ela pendurasse
seria uma vaga saudade
uma febre mansa
um sotaque brasileiro

se eu brincasse
seria correr atrás
da lembrança
de um corpo por inteiro

assim sozinho
sem mola nem sisal
fecho os olhos
ouço toco e cheiro
a luz matinal

(inspirado em "Todo Homem", de Zeca Veloso, e em "Eu por Engomar", de Cristina Branco)

Enviado por Tópico
AlexandreCosta
Publicado: 09/05/2026 21:42  Atualizado: 09/05/2026 21:45
Administrador
Usuário desde: 06/05/2024
Localidade: Braga
Mensagens: 1560
 Re: Escrever ao som de... 2018
.
"Todo Homem" - Zeca Veloso


Balada do colo

geme cintura
a porta madura
abre-se mundo
sonho fecundo
o filho
o brilho
colo ternura

acerta o chinelo
rabo paralelo
colinho invertido
convertido
o filho
sem sarilho
a mãe no elo

aperta o botão
à casa, o trapalhão
no colo cheio
abraço, ao meio
do filho
o caixilho
do coração

olhos de água aceno
colo sereno
até já de quem já voa
a hora é boa
um filho
o trilho
o homem pleno

fim de semana
a casa abana
o homem
os filhos
a mãe, duas vezes
abraça e nana


09-05-2026

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