Poemas -> Reflexão : 

Segredos da consciência

 
Havia segredos em mim
Que não se escondiam por medo,
Mas por delicadeza.
Esperavam o instante exato
Em que a consciência, cansada de correr,
Pararia para ouvi-los.

Eles não chegaram como revelações grandiosas,
Vieram como um arrepio breve,
Um pensamento que não pedi,
Uma lembrança sem endereço.
De repente, eu sabia,
E não havia como fingir que não.

Descobri que alguns segredos não são fatos,
São estados de espírito.
Eles não dizem o que aconteceu,
Mas quem eu sou quando ninguém está olhando.

A súbita consciência não grita.
Ela sussurra,
E o susto vem justamente disso:
Do reconhecimento silencioso.
É quando a mente percebe
Que sempre soube,
Mas ainda não tinha coragem de nomear.

Há segredos que não querem ser resolvidos,
Apenas aceitos.
Eles surgem para redesenhar o mapa interno,
Mudar a rota das escolhas,
Deslocar o centro do que chamávamos de certeza.

E então sigo,
Um pouco diferente,
Carregando agora o peso leve
De saber algo que não me destrói,
Mas também não me deixa voltar
A ser quem eu era antes de perceber.

Poema: Odair José, Poeta Cacerense

www.odairpoetacacerense.blogspot.com

Instagram
@poetacacerense
 
Autor
Odairjsilva
 
Texto
Data
Leituras
95
Favoritos
0
Licença
Esta obra está protegida pela licença Creative Commons
0 pontos
0
0
0
Os comentários são de propriedade de seus respectivos autores. Não somos responsáveis pelo seu conteúdo.