O conhecimento não vem com luz,
Ele apaga lâmpadas.
Depois dele,
Os contornos do mundo deixam de ser confiáveis.
Pensar é descer.
Não há elevação no saber profundo,
Apenas camadas mais densas de sombra
Onde a consciência aprende a suportar-se.
A verdade não redime.
Ela expõe.
E quem a toca perde
O direito ao conforto.
Há ideias que não libertam,
Condenam à lucidez.
Depois de vistas,
Não podem ser esquecidas sem mutilação.
O ignorante sofre menos
Porque não vê o abismo inteiro.
O pensador vê,
E mesmo assim continua olhando.
Conhecer é aceitar
Que o mundo não deve sentido algum,
E que a mente humana
É apenas um eco tentando se explicar.
A razão não é antídoto contra o horror;
É a lente que o torna nítido.
Toda filosofia verdadeira
Nasce de uma perda:
De Deus, de centro, de promessa,
Ou de si mesmo.
O saber não salva do vazio.
Ele ensina a habitá-lo
Sem gritar.
Pensar até o fim
É um gesto solitário,
Quase sempre incompreendido,
E frequentemente irreversível.
O conhecimento é uma ferida aberta
Que nunca cicatriza,
Apenas se aprofunda em silêncio.
Poema: Odair José, Poeta Cacerense