Tenho em mim
sangue de emigrante
que míngua
quando sai do seu país
e uma saudade
grave
tão flagrante
que seca sem os beijos
na raiz
Tenho em mim
sangue de emigrante
iminente
no vagão que vai vagando
em tanta terra
tornando tolerante
ombreando tanta gente
que na luta
tantas vezes
se enterra
Tenho em mim
sangue de emigrante
que, ao contrário
daquilo que se pensa,
não tem um coração errante,
procura é de forma
delirante
uma maneira
de se moldar à natureza
E se eu soubesse a dor
de estar distante
das noites passadas sem dormir
do gelo escaldante
da azáfama
que não nos deixa sorrir…
Tornar-me-ia, apenas,
itinerante
das causas das coisas
que eu não quis
no meu país.
Felisbela Baião