Não nasce em mim o que em mim floresce
É eco, imagem, medo e mito
A sombra da multidão que em mim habita
É lembrança antiga de um rito
Navego em águas sem dono
Correnteza de fábulas e mentes
Onde guardamos em uníssono segredos
Da Humanidade em suas entranhas e sementes
Sou a argila que molda a acção humana
Ampla vertigem de história vasta
Onde o fogo de um, a todos basta
No enredo inconsciente dos passos da existência
Sou emanação do Todo e de todos
Um breve grito por outros esquecido
Espírito antigo despido
Que é voz alheia, diluída em profundos lodos