Entre goles de silêncio e açúcar dissolvido,
te encontro — não como presença,
mas como um rumor quente na borda do instante.
O café esfumaça memórias
que nunca vivi contigo,
e ainda assim reconheço teu nome
na forma como o amargo aprende doçura.
Amar-te é isso:
beber o tempo em pequenos incêndios,
onde cada gole queima devagar
o que em mim ainda insiste em ser ausência.
E no fundo da xícara,
onde o mundo repousa escuro e inteiro,
fico —
esperando que teus olhos
me leiam como destino.