Ontem—
mergulhei sem corpo
no fundo sem fundo das minhas memórias
e lá,
onde o esquecimento não alcança,
algo em forma de você
ainda pulsava
não era lembrança—
era um resto de presença
vazando pelos cantos do nada
toquei o invisível
e ele me atravessou,
desde então,
carrego um eco sem origem
me chamando de dentro
como se o passado
nunca tivesse aprendido
a terminar.
mas partiste antes de entender
que certas ausências
gritam mais do que qualquer despedida
e agora
fico —
não como lembrança que se apaga,
mas como aquilo que te visita
quando o silêncio pesa demais.