Estou alucinada, já não acredito naquilo que vejo nem no que sinto. Deixem-me pregar ao silêncio, embutir-me em jeito disforme naquela parede branca. Gostava de ser pura mas já não tenho tempo. Gostava de renascer mas a hora já passou. Deixem-me apanhar a próxima estrela até ao infinito e desaparecer. Calem-me as palavras e deixem gritar os espaços em branco que ficam no papel.
Não quero mais fazer parte desta dor, nem da cor desta vida que me transtorna e que me viola constantemente a alma. Preciso morrer antes que venha o futuro que nos aguarda. Preciso esquecer-me antes que leia o que ainda não escrevi. Preciso parar antes de soltar as lágrimas reservadas ao poema.
Deixem-me só de dedos vazios e de boca fechada. Não quero ouvir as palavras bonitas que sopram ao vento e que caem desamparadas. Não quero mais ler a saudade. Voltar a sofrer a dor que me oferecem, embrulhada em molhos de rosas vermelhas.
Estou na ponta do verso…
…atirem-me a palavra, cairei no precipício do meu silêncio, para morrer só.
Vanda Paz