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| Alemtagus | Publicado: 12/05/2026 07:46 Atualizado: 12/05/2026 07:46 |
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Moderador
Usuário desde: 24/12/2006
Localidade: Montemor-o-Novo
Mensagens: 4258
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A água turva escorria-lhe lenta
Pela pele lisa a galgar suspiros Nesses ais rasgados dum olhar O beijo doce de sabor a menta Era o último dos velhos zéfiros Que deixavam os lábios salivar O dia deitava a noite nas mãos Que morriam à sede no jardim Coberto com mulheres em flor Dos gritos sussurrados irmãos Saíram longas sílabas sem fim Escritas de um branco sem cor Teus pés nus calçados de terra Dançavam soltos tanta loucura Sedenta dos vícios de nós dois Tem-me no sentir qu'me aferra Nesta fome de que te faço jura Em eterno adeus de até depois |
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| MarySSantos | Publicado: 13/05/2026 18:36 Atualizado: 13/05/2026 18:37 |
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Colaborador
Usuário desde: 06/06/2012
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Mensagens: 6059
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Refletindo o amarELO
existe um pequeno silêncio depois que a chuva passa. é como se as poças que ela deixou exigissem um tempo para revelar a tranquilidade triste do que reflete. MarySSantos |
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| Luxena | Publicado: 13/05/2026 21:34 Atualizado: 13/05/2026 21:34 |
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Da casa!
Usuário desde: 07/03/2025
Localidade: Brasília
Mensagens: 245
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2019 foi um ano muito memorável na minha vida. Não tenho tantas memórias, mas foi o último ano que passei na minha cidade natal, Fortaleza, com meus primos, minhas avós, meus tios, minha família. Aqui está:
Esoterismo bate-estaca repete, repete, repete a mesma coisa eu acho que tô de ressaca por cinco mil dias eu acreditei que realmente estava vivo quais dedos eu chupei? vejo o oculto aparecendo eu vou já ah, acordei, sei o que é vou embarcar nessa maré finalmente sem texturas conflitantes valho mais que diamante brilhando com aquela delícia cheia de malícia delirante é o seu suco o néctar da vida alimento de todo maluco deixando-se levar pela correnteza |
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| Benjamin Pó | Publicado: 14/05/2026 09:29 Atualizado: 14/05/2026 18:48 |
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Administrador
Usuário desde: 02/10/2021
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Mensagens: 956
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presumível inocente o poeta ataca as teclas por gatilho a inspiração desapertada na gravata o olho de gafanhoto do corretor sublinha o erro com fio de cobre ou cobranto o dedo fica suspenso de olhos coloridos na maçã e o verso termina enforcado numa vírgula a ficha arrancada no chão desenhando o álibi no corredor o poeta suspeita das próprias costas curvadas dentro e fora do silêncio a luz do ecrã continua a escurecer o quarto verde contra negro (inspirado na canção "E de Repente", de André Henriques) |
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| AlexandreCosta | Publicado: 14/05/2026 16:02 Atualizado: 14/05/2026 16:44 |
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Administrador
Usuário desde: 06/05/2024
Localidade: Braga
Mensagens: 1633
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"E de repente" - André Henriques A boa, o pau e o pilão o estranho sem nome talvez não fosse o mau era pistola toda só fome de flores e coração dentro do coldre fugido, a um amor podre ido por um punhado de do(la)res wah wah wah de frente surgiu a boa a morrer de linda pilão ao meio pronta a esfregar pau de cabinda levantou-lhe um sobrolho desafiador olhou picante pi(s)cadela fulminante de quem sabia de aguentar investidas de carregador cheio e empoleirou-se prometida a um duelo enroscado de longo alcance wah wah wah ele tocava ocarina sem dó e ela em sintonia tocava a flauta de madeira em si perfeita harmonia a afastar as pernas a música era já em sol-fá-midas receita dourada de cura para doenças de não cavalgar há muito tempo até ao pôr do sol wah wah wah precavida de quem sabe morrer bem ela sabia-lhe perfeitamente o nome Clint, o Paudeste evidência que aumentava a tensão ui ui ui num ápice esfomeado mais rápido que a própria sombra ele foi-se a ela de arma em riste nem lhe deu tempo de sacar ela apenas percebeu que ensacou as balas deixou-se ir nos disparos sem dó de arma bem oleada ai ai ai ai ai ai só depois ele percebeu que morreram juntos quando prostrado sobre ela atento a algum respiro sentiu o desfalecimento... wah wah wah um índio malandro de asas em conluio com ela tinha disparado uma flecha canhão e acertou-lhe em cheio bem no meio do coração 14-05-2026 |
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| Aline Lima | Publicado: 15/05/2026 02:10 Atualizado: 15/05/2026 02:10 |
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Administrador
Usuário desde: 02/04/2012
Localidade: Brasília- Brasil
Mensagens: 1193
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Farofa e Apocalipse minha vontade de morrer perdeu espaço pra um áudio de vinte e sete minutos tia gargalhando panela de pressão ao fundo alguém perguntando do miojo bebê cometendo crimes acústicos ela dizia: “não vem inventar tristeza grande num mundo que faz farofa” eu ri com ódio depois ri direito a cidade inteira mastiga luz e cospe em postes cansados gambiarra emocional: flertando no açougue chorando no pix dançando com hérnia sobrancelha feita antes do colapso apocalipse e unha em gel ombro a ombro não é esperança esperança é palavra de palestra tesão absurdo de continuar existindo só pra contrariar projeto arquitetônico do desastre ontem comprei camisa amarela violentíssima da cor de quem decidiu não facilitar pro fim |
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| agniceu | Publicado: 15/05/2026 05:26 Atualizado: 15/05/2026 05:26 |
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Colaborador
Usuário desde: 08/07/2010
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Mensagens: 808
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Os poetas que não rimam às letras
Nadamos atmosfericamente contentes, no meio da multidão. Bracejando em vão… de escadas, de praias descalças, nos ensaios de acenos, nos abraços em contramão. Somos assombros à procura dos ombros mais quentes, de gente vestida com casacos de pele. Gritamos afeto com a máscara nas antigas e nas futuras epidemias (que venha o amor, o antiviral com mais sucesso). Ainda assim, mordemos a língua antes da comida e, mesmo depois, lambemos as feridas após os golpes das palavras ríspidas, até ao pendurar dos lábios no armário. |
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| AlexandreCosta | Publicado: 15/05/2026 15:41 Atualizado: 15/05/2026 15:41 |
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Administrador
Usuário desde: 06/05/2024
Localidade: Braga
Mensagens: 1633
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"AmarElo" - Emicida Círculo dourado não se ama o elo o elo é de se amar e o amarelo é um círculo dourado que vive o tempo do amor tomara que o ouro não derretesse e que à data inicial não houvesse contraste não desçam à forja sejam dentro as fornalhas e os elos serão eternos 15-05-2026 |
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| Alpha | Publicado: 15/05/2026 17:38 Atualizado: 15/05/2026 17:38 |
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Membro de honra
Usuário desde: 14/04/2015
Localidade:
Mensagens: 2337
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De repente
Não houve aviso nem portas a bater nem o último pássaro a riscar o céu. Ficou um vazio estranho daqueles que fazem a casa parecer maior e até os relógios andavam cansados. As ruas ficaram quietas as janelas fechadas e o vento perdeu-se algures como se já não soubesse voltar. A luz da tarde entrou devagar e por um momento a casa pareceu à espera de alguém. Há ausências que não passam. Instalam-se. Mudam de lugar as coisas dentro de nós deixam cadeiras fora do lugar portas entreabertas e a impressão estranha de que alguém acabou de sair! |
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| DCM_78 | Publicado: 17/05/2026 11:13 Atualizado: 17/05/2026 11:13 |
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Super Participativo
Usuário desde: 05/01/2026
Localidade: Lisboa
Mensagens: 126
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Amor
Amar é desejar que sejas feliz Amar é apreciar cada particularidade tua, boa ou má Amar é perceber que és do mundo e não minha Amar é abraçar a diferença e despir-me de preconceitos Amar é ter medo de te perder Amar é ter um bocadinho de ciúmes Amar é olhar-te nos olhos e não precisar de palavras Amar é derreter o gelo e sentir o calor Amar é saber o porquê de ter nascido Amar é subir uma montanha e atingir o cume Amar é levar-te sempre nos meus pensamentos Amar é dizer-te que és tudo para mim Amem intensamente e sobretudo, amem-se a vós próprios. |
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| DCM_78 | Publicado: 18/05/2026 16:50 Atualizado: 18/05/2026 16:50 |
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Super Participativo
Usuário desde: 05/01/2026
Localidade: Lisboa
Mensagens: 126
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Melancolia
Neste jeito de alma danificada Deambulo pela minha própria tristeza Insatisfeito e ávido pela beleza de momentos Quero contemplar o pôr de sol à beira mar Quero sentir o sabor a café Quero apreciar as curvas femininas Quero andar à chuva e molhar-me Quero ter inspiração Quero ouvir um violoncelo Quero sentir o cheiro a cavalo Quero ouvir o lobo a uivar Quero olhar nos olhos Quero trincar o gengibre Quero cheirar a lúcia-lima Quero ler a poesia da Florbela Tirem-me tudo, mas nunca a minha melancolia. |