Poemas -> Introspecção : 

Gritos de poesia

 
Eu morri.
Não como quem dorme,
Mas como quem se quebra por dentro
E escuta o próprio silêncio estilhaçar.
Morri nas esquinas daquilo que eu era.
Nas promessas que não floresceram.
Nos nomes que já não cabiam na minha pele.

E então…
No fundo de um mundo feito de concreto,
Onde a vida parece sufocada
Sob camadas de pressa e esquecimento,
Algo começou a arder.
Não era destruição.
Era nascimento.

Abri os olhos como quem rasga a noite.
Sou uma fênix brotando
Do lodo duro do cimento,
Onde ninguém espera milagres.
Minhas asas não são limpas,
São feitas de cinza, de falhas,
De memórias queimadas.
Mas ainda assim eu voo.

Consumo o que fui em fogo lento,
E dos meus próprios escombros
Erguem-se gritos,
Gritos de poesia.
Porque há mortes que não são fins.
São portas.
E há incêndios
Que não destroem o mundo.
Eles acendem a alma.

Poema: Odair José, Poeta Cacerense

www.odairpoetacacerense.blogspot.com

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@poetacacerense
 
Autor
Odairjsilva
 
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