Em Setembro daquele fingimento,
No meio da rua, onde tudo é
fugaz ou desinteressante e lento,
O mundo parou e eu morri até.
O meu juízo final, o meu tormento,
Inclemente sem vento nem maré,
Naquela trivial noite, ao relento,
No pelourinho onde se acaba a fé.
Foi um momento sem tempo, proscrito,
Abriram-se as portas do meu jazigo,
Ainda limpo do pó da eternidade…
O suor das décadas fez-se mito,
Do sonho, no caminho em que prossigo,
O que se transforma em vida é a saudade.
23 de Julho de 2026
Viriato Samora