às vezes
sinto que a poesia roça-me
como vento que ninguém
mais percebe.
caminho com ela no bolso
um pequeno
animal inquieto
pedindo para ser visto
num mundo que passa
rápido demais.
quando falo
o silencio recebe
esparramado como relva
em solo fértil
mas,
ainda assim falo
porque há coisas que só existem
quando encontram voz
talvez a plateia seja cega
e a poesia esteja coreografando
à toa
ou talvez eu é que enxergue demais...
não sei.
o que sei
é que há deslizes
de pequenas luzes
no escuro
e posto-me como quem espera
que um dia alguém repare no brilho
e diga:
eu também vejo isso.
até lá,
a poesia e eu seguimos juntas
meio invisíveis
meio teimosas
e inteiras.
Inconstante...
