Sabado, 30
Ontem foi um dia de dor – melhorava quando deitava na rede. Por duas vezes abortou umas saídas – Envergou a tradicional farda de sair e chegou até a sala, não aguentou voltou aos seus aposentos -Pretendia ir a biblioteca da Deodoro devolver os Montellos e apanhar quem sabe “Hilda Furacão”, que começara a ler ao meio-dia de quarta-feira lá mesmo, antes de encarar o indeferimento do BPC e o dr. Abriu outro processo e pediu-lhe para passar na próxima sexta – Vai nada, o poeta sabe como são esses tramites burocráticos, ainda tem muitas entraves pela frente. Vai mesmo no final do mês.
Um belo sol desponta sobre os mangues do Bacanga e um poético beija-flor sugando beatificamente o néctar das flores da romãzeira no terraço, bem a sua frente.
- Professor, me arranja um real para mim tomar café ali – Pede do meio da rua vazia e deserta, a icônica doidona Kleide Merla, amanhecida nas quebradas lá de baixo.
Imediatamente o sr. Com sinaliza um negativo com a mão. Vade retro satanás!
- Credo! – desconjurou em voz alta a Sra. Vince ao entrar no quarto do sr. Com – Deus me livre!
Tudo arreliava seu sensível olfato, realmente o quarto fedia por causa da rede do poeta, mas não era essa coisa toda, o caso que tudo dramatizava ao máximo: - Ainda não enxuguei ai! -gritou para o sr. Com que entrava na sala do computador: - E tu é muito enjoado com esse abuso, não sou mulher de ninguém – admoestava o irônico genro que chamava-lhe ‘a mulher do sr. Vince’.
Sr. Com li as ultimas paginas de “Baudolino” e recomeçou a reler “Oliver Twist” que comprara no começo do ano junto com “Martin Eden” numa promoção do Sebo do Arteiro na rua do sol. Esperava sem muita esperança o recurso de Juvan(R$ 100) e com ele pretendia adquirir “Apelo da Selva” também de London que namorou numa banca-sebo em frente ao Liceu na Deodoro.
A dorzinha começou e.....