Poemas : 

ALTOS FORNOS, CISÃO

 
A meio a uma lassidão
de mentes e de corpos,
enquanto me refresco
em águas refrigeradas
e golfadas rápidas de CO2,
numa tentativa desesperada
de baixar a temperatura corporal,
que se estabeleceu e cerrou
fileiras na carne indolente,
dou por mim cambaleando
tonto de ingerências cerebrais,
como um crânio sem escalpe
em tórrido deserto
espera ansioso um ilusório Oásis,
onde mergulhar os pulsos,
retirando a pústula da pele,
gretada e maculada pelo calor
excessivo, destes últimos dias…


Altos fornos, cisão,
assim se assemelha esta minha
casa, no ar rarefeito e
estonteante do verão, onde
brisa alguma perpassa, aqui por perto,
sem rumo nem direcção;
e as pessoas, como crianças
loucas, clamam aos céus, por
um pouco de água, das chuvas
que se adivinham
ainda muito ao longe.


Jorge Humberto
07/07/26


 
Autor
JORGEHFRANCISCO
 
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