Ontem a noite
- Tá quanto o jogo? – perguntava insistentemente o genro que apostou dois a um a favor da Inglaterra.
A esposa o repreendeu, ele sai pela tangente desculpando que foi sem dinheiro. Eles são evangélicos de fronteiras.
O empate da Argentina – deixa o genro contente. A virada final e los Hermanos vão para a final domingo contra a Espanha. Não derrotaram os ingleses nas Malvinas, mas os destronaram da copa de 2026.
- Boa noite, a Voz do Brasil termina aqui e volta amanhã!
Levantou-se da rede, pegou o radinho sobre a estante e o desligou desconectando as pilhas. O sr. Vince tosse pesadamente, a esposa acha que ele tá com catarro no peito. Sr. Com ingeriu um ‘vicodin’ e deitou-se.
As 23:25 – Concluiu “Problemas na Corte” – um final feliz – ergueu-se da rede e foi urinar no banheiro, deu descarga, fechou a porta e apagou a luz – na passagem pela copa e pelo armário, surrupiou uma bolacha e foi come-la nos fundos de seus aposentos e com cuidado para não fazer barulho.
Quarta-feira, 16 de julho de 2026
Uma correção não são duas, mas quatro as palmeiras sobreviventes das sete da praça. Mas a grande poesia visual, foi pela primeira vez, o poeta contemplou in loco um casal de perequitinhos equilibrando-se na ponta de uma palha. Os pontinhos verdinhos, um ao lado do outro e sempre chalrando – que coisa linda – Sr. Com ganhou o dia.
Na porta da padaria Renascer, ao lado do capacho e encostado no congelador vertical com suas portas transparentes, Zulu, o temível zulu um bolo de pelo preto lambia os beiços com sua linguinha e o olhar morto do gato Garfield sonhava.
- Sai dai bando de porra, caralho! – gritou iradamente um motoqueiro para os cães no meio da pista, forçando-o a desviar deles – Caralho!
Peter, o cão do finado Black entre eles, todo sujo – tal como Buk de “O Apelo da Selva” de London – perdeu sua civilidade. O poeta ainda o chamou e ele nem virou – sempre foi um cão sacana e arredio.
“Olha o limão! Olha o limão!” – apregoa um caboco moreno atarracado com um saco no ombro e uma sacolona na mão – “Olha o cheiro verde! Olha cheiro verde!” – “Bom dia, meu patrão!” não parou, mas encostou na mulher do verdureiro.
No meio da manhã, Dr. Colhão pegou uma gorotinha da pinga “Gostosa” e ancorou no atelier até seca-la, ficando um pouco pesado com a voz engrolada e aquelas conversas repetitivas: “Tu não conheceu meu pai?” – As onze subiu rumo ao seu cafofo na rua 22 – Sr Com tentou ler Joseph Heller. As belas pernas grossas da donzela da rua 25 acompanhando a mãe desvirtuaram a paz interior do poeta. O pessoal voltando do Popular – Seu Buldo com quatro bandecos numa sacola.
Tarde na pensão
Linguiça com arroz e feijão – maravilha. Cochilou e ao acordar leu algumas paginas de “Recordação da Casa dos Mortos” do mestre Dostoievski. Tempo abafado e um mormaço. Um chuvisco sobre a Vila Embratel.