Eu sempre soube da noite e sua tristeza
Ouvia suas lágrimas quebrando ao chão
Era como se soltasse as emoções presas
Revelando o que havia dentro do coração
Gritos escondidos sob o rugido do trovão
Percebidos na urgência do brilho intenso
Logo retomando o seu lugar na escuridão
Restando ali o perfume sutil de um incenso
E no meio daquela confusão de sentimentos
Eu via os anjos e demônios com seus violinos
Como se criassem a trilha sonora do relento
Deixando-me sem ação junto a tanto desatino
Até que entre as tormentas e as tempestades
Entendi que se eu sabia da noite e suas tristezas
Era porque a madrugada era a minha verdade
E as chuvas revelavam o que havia de clareza
Dali em diante sempre que ouço os relâmpagos
Vou até a janela apreciando o céu tempestuoso
Fecho os olhos e deixo que venham até o âmago
De minha alma no contraste de um caos afetuoso
Deus abençoe a chuva que cai
Carlos Correa