Labirinto
Ocaso! Já a vivaz penumbra nocturna
estende os tentáculos ao dia, cativo
em gaiola doirada, para lá do mundo.
De tão igual à minh' alma soturna -
em tons de noite - mas eu, emotivo,
sou mais breu, sem estrelas, por fundo!
Exausto, por longa passeata vespertina,
busco refúgio em cadeira devoluta,
d' esplanada confusa de gente. Grato!
Sentado, encarcero a alma libertina
na renda pedonal, que, de forma astuta,
tento evadir desse labirinto inato.
Nem os troantes sinos, chegada a hora,
sugerindo fé, preces ou ritos sagrados,
m' afastam do torpor - não por não ser crente...
Devem ser rugas d' apreensão sofredora
no meu rosto, que geram risos comentados,
Doença d' Alma - de uns; d' outros - Demente!!!
De súbito, tocado por voz cristalina,
que reconheço, arranco-me ao enleio
da imaginada geometria de permeio,
entre o sonho e a magoada realidade,
que tu, por mero desprezo ou vã maldade,
elevas, tão ufana, a chacota ferina.
Poeta sem Alma
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