Felicidade Adormecida
Num longo bocejo irritado,
mal desperto do sonho
que me seduzia o sono
tranquilo, raramente sentido.
Revolvo o olhar nas sombras
fantasmagóricas desenhadas
pela cinza ardente do fogo
da lareira quase extinta.
O sonho me conduz à montanha,
envolta num nevoeiro denso,
onde o luar a custo penetra
num frio silêncio envolvente.
Enlaçado, beijo minh' amante
e enebrio-me no doce aroma
que seu corpo maduro exala
ansiando o consumar da união.
Esbracejo, suspenso da realidade,
e sinto, mais do que vejo, o corpo
adormecido na quietude da madrugada;
resvalo no lesto cetim e saio do leito.
O tempo corre e s' esvai sem memória,
sentado no tapete observo estático
a beleza da face de feliz quietude,
os sentimentos disparam recordações.
Já não és um sonho,
mas a presença de ti
e da tua dádiva eterna.
És o meu sonho
transubstanciado realidade,
o meu tesouro
mais procurado e obtido.
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