Há quem diga que não tenho idade
para isto
e
há quem diga
que para isto não há idade,
não sei qual deles diz
a verdade,
ou sequer a idade em que existo.
Se é o corpo que desobriga
ao que, de vontade,
desfiz.
Se agora me concebo
e para o passado me viro,
também não percebo
o que faço neste retiro.
Ponho,
sonho fora de horas
e não me vejo em nenhum agora.
Hesito:
Renasço, ressuscito,
rejuvenesço ou paro o tempo?
Sem saber para que paro…
Será somente no pensar?
Esquisito…
Rais parta!...
Sou fiel ao ardor,
amo esta espécie de verão
que de longe me vem morrer às mãos
e juro que ao fazer da palavra
morada do silêncio
não há outra razão.
Eugénio de Andrade
Saibam que agradeço todos os comentários.
Por regra, não respondo.