Poemas : 

Estado das coisas

 
De vez em quando pergunto-me:
o que é uma coisa
ou uma cousa,

será o mesmo que objecto?

E antes de começar
a objectar
volto

será uma cousa o Homem,
será o Homem que cousa?

E como quem já não ousa,
como quem já sabe todas as respostas,
viro, à pergunta, as costas.

Entre o são e o doente
há muito estado do ente;
respira, anda, avança
é só juntar água, e esperança.

Do finito ao infinito é uma confusão
um, porque termina
o outro, porque não

mas, se podemos ser todos números,

se podemos nos contar,

que seja em histórias;
de derrotas e vitórias
e de outras notas.

Ordinais ou cardinais
sejamos

seres, que somos amados e que amamos

se somos mais
não devemos esquecer
que somos também animais

e pedaços da terra.

Todos nós
somos corridos da mesma voz -
socorridos,
sem donos -

que já se sentou em centenos tronos.

Ouço-a, intuo-a, ignoro como a sei
tem ares de oração,
tom de canção, conhecida por lei.

Paralelos
no chão, calcados
e ao ar atirados.

Não se esqueçam, de vez em quando, de sonhar...


Sou fiel ao ardor,
amo esta espécie de verão
que de longe me vem morrer às mãos
e juro que ao fazer da palavra
morada do silêncio
não há outra razão.

Eugénio de Andrade

Saibam que agradeço todos os comentários.
Por regra, não respondo.

 
Autor
Rogério Beça
 
Texto
Data
Leituras
29
Favoritos
0
Licença
Esta obra está protegida pela licença Creative Commons
2 pontos
0
1
0
Os comentários são de propriedade de seus respectivos autores. Não somos responsáveis pelo seu conteúdo.

Links patrocinados