Escrevo para que
as mãos libertem as palavras
que o meu peito cala
Escrevo porque
a palavra é o meu grito
o suspiro que me resta
quando a voz se cala
a manta de versos
com que cubro a minha pele
Escrevo por mim e por ti
pelo que ficou ainda por dizer
pela lágrima calada
que teima em cair
para calar o medo
e tocar o que sinto
Escrevo porque
nas asas do poema
a alma flutua numa emoção
que sangra
de um outro tempo
num eco profundo
onde sussurro o teu nome
Escrever é esta bem-aventurança
de viajar no tempo
e recolher dos cantos da memória
as sensações cristalinas
com que te respiro
Escrevo-te
neste meu jeito de dizer
o que o tempo não apagou
Escrito a 30/8/26