O dia chega sem pressas
transporta o cheiro do sal
o eco de um mar largo
e o rumor dos pássaros
Traz-me também um riso antigo
que me penetra na alma nua
colando-me o ouvido ao tempo
É a memória a latejar,
no silêncio…o sussurro do passado
Sinto o pulsar do sangue nas veias
sobre a pele esta inquietação
que percorre a espinha do corpo.
E sou apenas este instante
um corpo que respira
nesta nudez sagrada
habitado pelo vento
Onde fagulhas rubras
soltam-se
na imensidão de ser
simplesmente eu
Escrito a 19/10/26