Caminho contigo
entre prédios e pó,
onde o sol teima em desistir.
O mundo mastiga o seu próprio peso
e ainda assim
o teu olhar desarma.
Se o ódio se ergue, pesado,
trazemos o riso no bolso da frente —
remédio raro.
E se a mágoa apertar,
deixa a lágrima cair:
há coisas que lavam o silêncio.
Somos novos no espanto
e há qualquer coisa em nós
que ainda não desistiu do amanhã.
A alegria acontece sem anúncio:
um rasgo de luz nesta senda
a falhar o escuro.
Aceita esta chama na minha mão
p’ra a calçada fria do caminho,
o resto aprende sozinho.
O riso acende o chão que pisas.
A rua não resiste.
Fica branda.
“Ausento-me na quietude das folhas que caem, quando a música do verbo se cala e a alma se agasalha em si mesma.”