Poemas : 

Remédio de Espanto

 
Tags:  vida    mundo    rua    riso    quotidiano  
 
Caminho contigo
entre prédios e pó,
onde o sol teima em desistir.

O mundo mastiga o seu próprio peso
e ainda assim
o teu olhar desarma.

Se o ódio se ergue, pesado,
trazemos o riso no bolso da frente —
remédio raro.

E se a mágoa apertar,
deixa a lágrima cair:
há coisas que lavam o silêncio.

Somos novos no espanto
e há qualquer coisa em nós
que ainda não desistiu do amanhã.

A alegria acontece sem anúncio:
um rasgo de luz nesta senda
a falhar o escuro.

Aceita esta chama na minha mão
p’ra a calçada fria do caminho,
o resto aprende sozinho.

O riso acende o chão que pisas.
A rua não resiste.
Fica branda.




“Ausento-me na quietude das folhas que caem, quando a música do verbo se cala e a alma se agasalha em si mesma.”

 
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klopes
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