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Poemas, frases e mensagens de José Souza

Seleção dos poemas, frases e mensagens mais populares de José Souza

ELA

 
Ela sorri como fada,
como anjo e querubim,
caminha como deusa,
com seus olhos em mim.

Ela oferece seu olhar
a todos os presentes,
um sorriso franco
e olhares diferentes.

Ela conduz sua fala
na mansidão peculiar,
nos gestos sincronizados
e na vastidão do pensar.

Ela enobrece a todos
com seu jeito mulher,
dando sempre o júbilo
e sua graça qualquer.

Ela aparece sedutora,
compenetrada e séria,
e a situação adversa
domina de toda pilhéria.

Ela se apresenta sempre
de toda causa absoluta,
informa-se adequadamente
na espreita de toda luta.

2.007
 
ELA

DIANTE

 
Diante do jazigo
a dor que trago comigo
é calmo paliativo.
Diante do túmulo
a dor é o acumulo
que ainda vivo.

Diante da expiação
mais enternece o coração
com todas as chagas.
Diante da piedade
a dor que me invade
é tão doce praga.

Diante da abnegação
a dor é forte oração
que me leva ao alívio.
Diante da tristeza
a dor causa estranheza
em meu convívio.

Diante da prece
a dor mais parece
um suave conforto.
Diante do fato
a dor que exalto
em meu destino torto.

1.998
 
DIANTE

FUI VER

 
Fui ver uns olhos
e deles retirei a beleza,
pude ver explícita
toda a sua grandeza.

Fui ver um olhar
e dele extraí a gratidão,
pude então contemplar
as janelas do coração.

Fui ver uns brilhos
e deles previ a sombra,
pude ver realçada
a grandeza que me toma.

Fui ver um sonho
e dele achei o sono,
pude ser afetado
por tanto abandono.

Fui ver a vida
e dela trouxe o tudo,
pude ter entre as mãos
o meu maior escudo.

Fui ver a gentileza
e dela obtive a graça,
pude então desfrutar
da delicadeza que passa.

2.007
 
FUI VER

AFINIDADE

 
É no tormento das horas,
Quando me assola a mediocridade,
O ódio incontido, avassalador,
É quando me apego à vossa divindade.

É durante o ressonar febril,
Quando o vício supera a vontade,
A amargura cruel ruminando,
É quando tenho convosco maior intimidade.

É na injustificada perda terrena,
Quando a dor alheia me torna covarde,
A desgraça dos oprimidos corroendo,
É quando me deparo com a vossa amizade.

É no momento de conflito e de dor,
Quando a mentira é maior que a verdade,
O desamparo material ilude minh’alma,
É quando tenho convosco uma serena afinidade.

1.980
 
AFINIDADE

QUANDO

 
Quando a lágrima
escorrer-te pelo rosto,
será setembro ou a gosto
de Deus.
Quando o pranto
queimar-te a face,
cairá o disfarce
dos rogos teus.

Quando o desejo
encher-te a alma,
a mão cerrar a palma
cairá o sonho.
Quando o ensejo
fortificar-te a vida,
o sonho da despedida
não terá tamanho.

Quando o amigo
estender-te a mão,
selará em teu coração
o advento.
Quando a brisa
tocar-te de mansinho,
indicará o caminho
o forte vento.

Quando o engano
ferir-te o orgulho,
afastará o entulho
da tua vida.
Quando a certeza
instalar-te na fronte,
estarás decerto defronte
da rua dúvida.

1.999
 
QUANDO

NAS ASAS DO SONHO

 
Se no voo,
a ave se equilibra,
com garra e com fibra,
na rapidez das asas.

Se no sonho,
o homem se mantém,
ao seu próprio bem,
e retorna para casa.

Se na vida,
tudo se eqüivale,
é preciso que se fale
as próprias verdades.

Se no mundo,
algo se suplanta,
a injustiça tanta,
de todas as vaidades.

1.999
 
NAS ASAS DO SONHO

APRECIAÇÃO

 
Amar-te,
É como desejar a Lua
E ter apenas o Marte.

Desejar-te,
É como querer o todo
E ter apenas a parte.

Olhar-te,
É como desejar o troféu
E ter apenas o estandarte.

Admirar-te,
É como apreciar a obra
E não entender nada de arte.

2.011
 
APRECIAÇÃO

SONETO AO AMOR

 
Dos teus olhos negros extraio
a beleza e a delicadeza tuas,
quando nesses braços eu caio,
até que a divindade me possua.

Dos teus lábios doces eu provo
o néctar que dali delicioso jorra,
e mais uma vez eu comprovo,
que o teu amor é a maior prova.

Das tuas faces serenas emana
uma sinceridade tão leve,
que é a qualidade de quem ama.

Das tuas mãos suaves percebe
um doce roçar que me apaixona,
e uma felicidade me toma breve.

2.007
 
SONETO AO AMOR

DELICADEZA

 
Deixe o meu sonho
Perambular docemente,
Pelas vagas solitárias
Preenchendo o presente.

Deixe o meu sono
Transitar suavemente
Tal qual um penacho
Da ave desprendente.

Deixe o meu gesto
Ficar em protesto,
Pelas mãos vazias.

Deixe o meu beijo
Pairar pelo teu desejo
Nessas noites frias.

2.011
 
DELICADEZA

MADRIGAIS

 
Eu tenho a pena em minhas mãos,
O dom poético ao meu favor,
A vontade imensa de escrever,
E a natureza transbordando esplendor.

Eu tenho o chilrear dos pássaros,
A mente aberta ao sonho,
Ao domínio seguro do verso,
Que aos poucos eu componho.

Eu tenho a beleza dos campos,
A companhia grata da inspiração.
A pureza dos anos sofridos,
E o estilo da minha composição.

Eu tenho a pena sobre o branco do papel,
O pensamento cria imagens de que preciso,
As palavras surgem rápidas, incontroladas,
E sem demora nasce o verso conciso.

Eu tenho as sensações no ser,
A vontade de exprimir e definir tudo,
A tendência dos madrigais de outrora,
E a força das rimas que me serve de escudo.

1.980
 
MADRIGAIS

ASSOMBRO

 
É com tal assombro
que te toco o ombro,
a espádua branca e bela.
É com tal interesse
quanto mais me apresse
frente à tua janela.

É com tal lentidão
que te osculo a mão,
o braço e os dedos.
É com tal tristeza
que te cobro a esperteza,
com dedicação te concedo.

É com tal alvoroço
que te retiro do poço
ou de quaisquer assombros.
É com tal artifício
que te ofereço o prestígio,
no espaldar do meu ombro.

É com tal descaso
que te fabrico o vaso,
com que plantas a flor.
É com tal retidão
que te prometo no coração,
a grandeza do meu amor.

1.999
 
ASSOMBRO

INQUIETAÇÕES

 
De todas as dores,
que espalham dissabores,
há uma que me assusta:
o significado escasso
das dores que passo
e que tanto me custa.

De todos os desgostos,
que te queimam o rosto,
há um que me comove:
o vilipêndio da afronta,
que te deixa tonta,
que na estiagem não chove.

De todos os males
que te inculcam os olhares,
há um que me sobressalta:
a congênita desfaçatez,
que tem te tirado a vez
do sonho que te falta.

De todas mentiras,
que ainda não retiras,
há uma que domina:
a insensatez covarde,
que na tua pele arde,
feito fogo que ilumina.

1.999
 
INQUIETAÇÕES

SILÊNCIO INTERIOR

 
Quando senti esse teu sublime silêncio,
Que provém das entranhas de teu ser,
Cresceu também o meu silêncio exterior,
E aprofundei-me nessa lição que desejava conhecer.

Oh! Como é belo e imáculo teu interior!
E sabe transmitir essa tua prece inabalada!
Pois sabes a grandeza que teus gestos inspiram,
E conheces a virtude que a tua paz traz anunciada!

Levantes os teus olhos puros e solenes,
E contemples a imensidão de teu amor,
Surtir a graça nos seres que te proclama extasiados.

Desse teu gesto silencioso desprende o amor,
Nascido da pureza infinita do teu íntimo,
E da nobreza de teus olhos e prece preconizados

1.980
 
SILÊNCIO INTERIOR

AUSÊNCIA

 
Sentir tua falta,
É sentir o vazio,
Do medo, do calafrio,
Que se apossam de mim.

Sentir tua ausência,
É sentir o vago,
Do tropeço, do engasgo,
Que não têm fim.

Sentir tua distância,
É sentir o nada,
O escabroso, a derrocada,
O sofrimento total.

Sentir teu partir,
É sentir menosprezado,
Incapaz, tomado,
De todo esse mal.

2.011
 
AUSÊNCIA