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Poemas, frases e mensagens de Absalao

Seleção dos poemas, frases e mensagens mais populares de Absalao

Gosto muito de estudar,
ler, escrever e ensinar...

Identidade

 
Identidade e auto-conhecimento

Quem sou eu?
Sou o menino ignorado, por quê?
Por ser um esfarrapado?
Sou um puro inocente
Visto como culpado,
Quem sou ?
Sou a pessoa mal tratada
A tal criança violada,
Sou o homem mais útil
Considerado Inútil, por quê?

Filho dum infeliz
Quem sou?
Sou a esperança do meu país
Mas a minha já se esgotou
Sou o futuro pai
Mas nem vi o meu
Sou um doutor
Mas nem consigo curar
Nem a minha própria dor
Na verdade
Eu não sei quem sou
Mas sei que sou algo neste mundo

Talvez um atleta
Retardado a cada segundo


Fernando Absalão\'



\'\'\'\'\'\'cada um deve em primeiro lugar conhecer-se a si mesmo, para que possa ser conhecido por outros.\'\'\'\'
 
Identidade

~descamar a pele velha~

 
~descamar a pele velha~
 
Adeus!
Preciso sair de mim
descamar a pele velha
habitar um outro eu.

Preciso
reabilitar-me a alma,
amputar os meus anseios
e devaneios metafísicos.

Preciso
de uma nova casa:
sem cor
sem teto
sem parede
sem chão
e sem nome.
 
~descamar a pele velha~

~o nascer do dia~

 
~o nascer do dia~
 
Depois de tanto se deliciar do calor proveniente das mantas, ouve-se o cacarejar do primeiro galo que desperta os outros e em simultâneo suspendem o silêncio. Os pássaros não desperdiçam esta maratona matinal. Clandestinamente, pronunciam seu chilrear deslumbrante que lembra uma orquestra musical e dá mais docilidade à madrugada aumentando a suavidade do sono. As estrelas apagam-se em função do tempo. O sol levanta-se, ilustra o seu sorriso brilhante e afugenta a escuridão. Os primeiros raios vaporizam o orvalho e assim nasce mais um dia.

‘’É preciso acreditar
num novo dia.’’

Renato Russo
 
~o nascer do dia~

~Paixão mortífera~

 
~Paixão mortífera~
 
Aprendi a Morrer
quando tentava respirar
o sabor dos teus pulmões…

Aprendi a Morrer
quando já não existia oxigénio
no amor que por ti nutria

Aprendi a Morrer
quando adormeci nos teus vitalícios braços
e despertei quando
cadáver já era o meu nome.
 
~Paixão mortífera~

~girassóis~

 
~girassóis~
 
I
galopantes girassóis,
giram
gingam
guiam-se ao gume
dos gomos
da gostosura
dos gâmetas.

II
girassóis giros,
giram
gemem
gozam
e gotejam
gotas d'gozo gigantesco
quando a fotossíntese
pisa-lhes o PONTO G.
 
~girassóis~

a vida é um mar de rosas, mas quando é mal acarinhada vira um mar de espinhos

 
a vida é um mar de rosas, mas quando é mal acarinhada vira um mar de espinhos
 
Acordei e flagrei a minha auto-estima ganhando gorduras de um embondeiro. Dilatava-se. Convocava o estado de espírito que considero ideal para a minha alma exibir a sua própria essência, ganhar uma direcção única, largar as muletas e sentir-se mais viva que nunca. Dentro de mim, uma voz dourada me beijou a audição e discursou: "tu és capaz, podes conseguir tudo que desejas, és mais forte que a tempestade porque diferentemente dela, tens um coração e uma mente que te guiam. Deste modo, não podes ficar inerte e desnorteado porque tudo depende de ti. Se quiseres prosperar deves erguer a cabeça e batalhar. Na vida, nada vem do nada tudo requer esforço. Se mantiveres os braços cruzados nada virá ao seu encontro. Neste mundo, só vence quem vai a luta e labuta. Não tenhas medo de falhar, pois derrotas nos tornam mais fortes. Então, levanta-te e viva a vida que ela já espera por ti, e saiba: a vida é um mar de rosas, mas quando é mal acarinhada vira um mar de espinhos."

#Fernando_Chaúque
fernandoabsalao@gmail.com

" a vida é um mar de rosas, mas quando é mal acarinhada vira um mar de espinhos"
 
a vida é um mar de rosas, mas quando é mal acarinhada vira um mar de espinhos

Volúpia Infinita

 
Volúpia Infinita
 
(à poesia)

I
não se esvoaçará de mim
a amenidade
das tuas singularidades.
mesmo além do tempo transcendente
lembrarei
do teu
asfalto
delicioso.

II
no teu ser
bebo volúpia infinita.
ter-te a ti
é ter o infinito que preciso.

III
navego
sob pétalas alegres
e desaguo no limiar
das tuas ondas corporais.
 
Volúpia Infinita

~deixa-me sugar o nódulo da sua côncava melancia~

 
~deixa-me sugar o nódulo da sua côncava melancia~
 
minha musa,
deixa-me sugar o nódulo
da sua côncava melancia
até achar o ânodo
no qual se arquitecta o mel
que me alicia
o elástico sentido.

deixa-me
desbravar sua límpida ogiva.
desenhar o idioma do orgasmo no coração da sua lagoa íntima.
vestir sua pele plácida
e fortalecer o amálgama
que nos liga.
 
~deixa-me sugar o nódulo da sua côncava melancia~

Acções

 
Não basta ser Humano
é necessário viver e agir como Humano.

Não basta agir como Humano
é indispensável pensar
e raciocinar antes de agir,

pois, as acções definem
e caracterizam completamente
quem as pratica.

As acções são clones de cada indivíduo.
 
Acções

Belo Dia

 
Belo Dia
 
Bordado júbilo
E dourado ensejo
Libertam-me da dor
Outrora construida.
Desejo brilhar e levitar
Incansavelmente,como gaivotas que
Acariciam o ceu azul.
 
Belo Dia

~Metamorfose~

 
~Metamorfose~
 
Ó meu senhor:
essas pétalas exuberantes
essas pétalas singelas

mães do brilho sedutor
donas do crepúsculo,
donas do hálito matinal,

- são hienas
que te podem comer a vida
num segundo.

Nem tudo que brilha é ouro!
 
~Metamorfose~

~O poeta e as palavras~

 
~O poeta e as palavras~
 
O poeta escreve versos nos pedaços do tempo. Ergue emoções. Embala corações. Na crista da esperança aprumada constrói o mais precioso templo literário. O que lhe importa não são as palavras que ele desenha, mas sim as larvas que nelas residem, porque têm o poder de fazer modificações profundas no ombro sobre o qual pousam.
Nas palmas do poeta, pedras e troncos ganham vida e circulam nas ruelas cuspindo encantos. O poeta não dispensa o pensamento lógico (que usa para tracejar os "eus"), e a criatividade (que aplica para encher os "eus" de vida e realidade especificas). O poeta abraça as palavras e contempla a respectiva fonética. Faz-lhes mutações genéticas e cirurgias plásticas. Dá-lhes um certo sentido absoluto numa determinada frase e antes de arruma-las em versos e formar estrofes, oferece-lhes asas angelicais e pinta-as com as cores mais vivas do universo. Bruscamente, as palavras se abraçam, e, freneticamente se deitam no ventre da maravilha dourada.
Nesta ordem de ideia, pode-se dizer que - um poeta é um ilusionista cauteloso porque mesmo a palavra mais triste quando é por ele trabalhada ganha alegria no avesso. Sim, um poeta carrega no seu peito uma ilha de flores sedutoras queridas por todos. De facto, ninguém as recusa, visto que levam quem as toca à essência da pura verdade e dão-lhe uma ampla visão. Sendo assim, um poeta é também um pensador autónomo que brilha mesmo no epicentro do abismo dando voz a todos e a aqueles que têm as gargantas algemadas.

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Fernando Absalão Chaúque
Instagram /@fernandoabsalao
fernandoabsalao@gmail.com
 
~O poeta e as palavras~

~lareira d'mil gumes afrodisíacos~

 
~lareira d'mil gumes afrodisíacos~
 
que farias se soubesses que
- no meu peito conservo uma espiga
bronzeada de sentimentos
que se resumem somente em ti?

que farias se soubesses que
- quando as tuas anteras
beijam o bafo da terra nua
rejuvenescem a lareira
de mil gumes afrodisíacos,
que docemente me esfola(m)
a alma
o espírito
e a mente?

diga-me já!!!!!!
 
~lareira d'mil gumes afrodisíacos~

-< Esperando por ti >-

 
Sentado na pirâmide
Da minha imaginação
E bem agachado no relvado intimo
Da minha esperança
Espero por ti.

As sonolentas portas
Da minha alma
Estão abertas e anciosas
Para te devorarrem.

Quando chegares
não hesites!não hesites !
Nem tão pouco!
Voa directamente
Ao núcleo da minha palma

A sede de ter-te ao pé de mim
Espanca-me brutalmente as entranhas
E afoga-me nos meus próprios
Fluídos cerebrais.
De tanto pensar em ti
Perco a essência da saudade
Que me embala.
Retratos que eu guardo
Aos poucos perdem o aroma
E evaporam como pólvora acesa

Esperando por ti
A retina minha
Cega-se na esperança
De mais uma vez
Decifrar o magno reluzir teu
 
-< Esperando por ti >-

~a cor dos teus lábios~

 
~a cor dos teus lábios~
 
a cor dos teus lábios:
é a cor do prazer
que me excita os mais felinos desejos.
é um arco íris elástico,
alarme que me desperta o leite fálico.
é o veneno
que me dá mais
vida.
 
~a cor dos teus lábios~

~raposa~

 
~raposa~
 
O alento e a semântica
do teu jeito
de deusa deliciosa
que só cabe no meu peito,
maravilham-me o êxtase
que jaze no crepúsculo dos fonemas
sombrios da terra.

ah!
podem-me
fumegar o hálito ébrio
que me sustenta
turvar o azul que me acalenta
martirizar a vida que vivo,
insinuar que meu amor
é paupérrimo
mas sempre serás
a raposa que alumia o meu hemisfério.
 
~raposa~

~olhos verdes~

 
~olhos verdes~
 
Meus olhos verdes
comtemplam almas moribundas e nuas
enfeitiçadas pelo tempo
sonambulando nas ruas.

Meus olhos verdes
não enxergam mais nada além dos vermes,
vermes asseados
e engravatados
vermes com dentes afiados, sentados no sarcófago
a espera d’sangue ébano.
Sim!!!! Sangue ébano
Sim!!! sangue de gente inocente.

Ah!! Meus doces olhos
entristecem quando veem
as Evas que mal se vestem,
mas bem se despem sempre que vendem o corpo
em troca duma DTS.

Meus olhos verdes
cospem insultos em forma de cataratas
e emagrecem
quando FMI engorda
o preço do oxigênio.
 
~olhos verdes~

~morte~

 
Mordida no pescoço:
Ornamenta-me o calabouço
Rodeando-o de répteis sem dó.
Tira-me a vida dos pulmões
E transforma-me em triste pó.
 
~morte~

no tapete daquela noite

 
no tapete daquela noite
 
a noite circulava
acesa
e sorridente
e doce.
estrelas saltavam
e perdiam-se na brisa dourada
nascendo do poente.
belo silêncio trazia consigo em forma de eclipse, o perfume
que dormia nos sovacos do vento.
erva robusta recitava hinos
que consolavam paradoxos nocturnos.

na dianteira daquele instante
apareceste escoltada por estames acesos.
teu vestido beijava o tapete da noite
e roubava-me a atenção.
máximo encanto estava embrulhado
no chilrear da tua voz que me seduzia o ouvido.
teus lábios afiados reluziam
e descarilavam-me os neurónios.

agarrei-te, como o predador faz á presa
amputei-te a cortiça que te escondia o corpo
explorei os mistérios escondidos
no alicerce dos teus poros.
perdi-me nas tuas dunas e fendas oleosas
fiz-te gemer até o tapete da noite alvorecer...
 
no tapete daquela noite

alma maldosa

 
Sou uma alma maldosa
perdida no vago tempo
discursos entorpecentes
carrego no meu peito.

Dotada de quentes artimanhas
minha boca aguçada
fulmina ácidas palavras,
gosto de ver a paz ameaçada.

Represento a força perversa,
claramente, luto contra o bem,
no meu canto pecado é virtude
humano...meu preferido refém.

Amo esta arte obscura
abraço-a temendo nada
dentro de mim ela perdura
aos poucos conquisto mais discípulos.

Tenho o dom de enganar
escondo-o nas minhas escamas
odeio tanto ver-te alegre
calúnia e terror são meus diademas.

Serei sempre espinhosa
glorifico meu mestre LEVIATÃ,
doce... é ser tortuosa
estive com Eva diante da maçã.
 
alma maldosa