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Poemas, frases e mensagens de TecaLima

Seleção dos poemas, frases e mensagens mais populares de TecaLima

Meus Olhos

 
Meus olhos percebem
as linhas que separam
o corpo da alma.

No deserto,
os dedos desenham
rios, árvores e pedras.

Ouvem os pássaros
as folhas secas
levadas ao chão.

Bebo estrelas
e embriago-me.
Sonho manhãs.
 
Meus Olhos

Abandonada

 
sinto-me abandonada no inverno.
deixo as portas sempre fechadas,
espero luares além das janelas.

quando rezo, espalho no ar,
o cheiro de velas;
guardam as mãos as louças
do último jantar...

uso os vestidos mais velhos
e as blusas furadas pelas brasas
dos cigarros esquecidos no cinzeiro.

ensaio palavras de arrependimento.
Os olhos secos, livres da saudade,
se quebram quando veem teus lábios.
 
Abandonada

Filhas do Sol

 
Dormem meus olhos...
Ouço poemas tatuados
na ponta dos dedos.

Iluminadas,acordam as almas.
Desenham pedaços de estrelas,
e renascem como filhas do sol.
 
Filhas do Sol

Leitura

 
Para ler sentimentos,
é necessário saber
a intensidade da luz
e tamanho das noites.

Receber os dias e
ouvir as estrelas
dos sonhos que não
lembramos mais.
 
Leitura

No meio do nada

 
O amor
descreve
um beijo

no meio
do nada

afoga-se

no espaço
um abraço
uma pausa

no riso
no canto

nos olhos
desce um rio
sem mágoa
 
No meio do nada

O clone

 
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.
.
.

Longe do espelho,o clone colhia pétalas de rosas.Depois do luar, de mãos dadas com sereias,sentia a ausência das estrelas.
 
O clone

Doidas palavras

 
Cala-se o amor,
com os olhos cheios
de lágrimas.

navegam
palavras

soam azuladas
na transparência
do mar.
 
Doidas palavras

Mágoas

 
Fizesse chuva ou sol,
lá estavam as máscaras.

Domavam os dias,
douravam a tarde.

O tempo mudou.
Uma chuva fina
regava as flores...

Relâmpagos
riscavam o céu
e o chão

azulavam as pedras.

Ainda existe
reflexos do amor
na transparência
das mágoas.
 
Mágoas

Espelhos Molhados

 
Iluminam-se minhas faces.
Guardo estrelas e manhãs,

Perfumes de ontem,
sementes de romãs.

Folhas secas, cristais e lágrimas
lembram e tecem o minuto final.

Árvores e pedras descem ladeiras,
acordam as almas e o vento.

Flores movimentam-se.
Há silêncio nos quintais;
Deslizam poemas no quarto.

Falam às janelas os olhos fechados;
Os corpos das imagens são reflexos
de espelhos molhados.

É tarde.
Anoiteço para sonhar-te.
 
Espelhos Molhados

Paisagens

 
A alma mergulha a paisagem do existir.
Somos aves, flores, lagos...
Somos a música dos rios...

Ouvem os deuses o silêncio das árvores.

Atravessam sonhos e montanhas.
Vestem a luz das estrelas
e o movimento das ondas
no desenho mares.
 
Paisagens

Viola e flauta

 
Ouço o estalo das folhas secas na rua. No apartamento ao lado, ensaiam um solo de viola e flauta. As crianças chegaram da escola e adormecem no sofá.

Orquídeas iluminam a sala de estar. Soltam-se os dedos; ouço as almas; batucam na mesa um samba de Noel.

Vejo a tua imagem a ligar a vitrola quando a tarde foge do sol. Leio teus poemas.Ouço o eco das lágrimas caindo entre os talheres e as xícaras.
 
Viola e flauta

No Saara

 
enquanto
esperam

as palavras voam

escolhem assim
um tanto de tempo
na aurora boreal

encantam-se
espalham-se
na areia

e suam debaixo
do sol do Saara.
 
No Saara

Água dos teus olhos

 
é desumano
não te amar
agora

caem meus
olhos secos

nas praias
de Pernambuco

engulo bagaços,
caroços e sucos

e vou-me embora
pras ruas de Pasárgada

e bebo sem susto
a água dos teus olhos.
 
Água dos teus olhos

Dezembrai

 
Dezembrai, ó homens!

O sol desce sobre os ombros,
ilumina o riso e o canto.

Há movimentos e cores,
na cadência dos poemas,
na colheita dos frutos,
no sonho das manhãs.

Dezembrai, ó homens!

Viva a esperança e a luz
nas horas do ano melhor.
 
Dezembrai

Dança dos olhos

 
Comprei sandálias de prata,
argolas de ouro
e vestidos de baile.

Espero-te.

Na rua do sonho,
separo estrelas,
desfio luares.

Passa o vento,
dançam os olhos.

Levo à fogueira,
folhas e flores
mortas.

Trago de volta,
chuva e semente.
 
Dança dos olhos

Fios do sol

 
poemas celebram a calma das manhãs.
descrevem nuvens, passam paisagens.


moças felizes
bordam vestidos
ao sol.

poetas deslizam nas águas dos rios.
desviam-se na escala dos temores.

tocam tambores, dançam na chuva,
contam nos dedos a hora das flores.
 
Fios do sol

Pássaro Molhado

 
O pássaro molhado
não sabe do ritmo,
nem do cheiro
da chuva?

Finge tristeza
entre folhas
e galhos

espera no vento
o som do sol.

Pássaro molhado
espera calado:

sementes e frutos,
na verde paisagem.
 
Pássaro Molhado

Viagem

 
Cansada de esperas,
desfio almofadas
bordadas com fios
nylon e ouro.

Ilumina-se a sala
ao som de beijos.

Sinto as mãos calorosas
ao recordar teus desejos.

Ouço as vozes da madrugada;

Atravesso as pontes do tempo...
Celebro o final da viagem
nos mares da vida inteira.

O amor é água
e silêncio antes
do sol.

Estrelas ouvem
o estalo das folhas
na língua seca
dos caracóis.

Descasco maçãs.

Canto à mesa
e espero a flor
das romãs.
 
Viagem

O caderno azul

 
.
.
Queria reviver a manhã de ontem.
A mesma daquele mês de agosto
quando meu rosto colava-se ao teu.

Queria a literatura mais pomposa,
A tua voz mansa a desenhar palavras
nas cores da tarde volumosa.

Longe havia o perfume no verde
das folhas caídas nas margens.

Queria a arquitetura do poema,
a retocar fotografias do amor,
nas paisagens pintadas
num caderno azul.
 
O caderno azul

Depois do Baile

 
No ambiente, imagens de Klimt,
velas amarelas,sinfonias de Bach.

As mãos lavadas
escolhem as flores.

Os olhos acesos,
ofuscavam cristais,
abrem as cortinas,
os vendavais.

O corpo perfumado
se aquece e baila
num vestido bordado.

O pés dormentes
soltam-se dos sapatos
de fios dourados.

Dentro da alma,
eu via estrelas
caindo nas mãos.
 
Depois do Baile