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Eugénio de Andrade : Elegia das Águas Negras para Che Guevara
em 09/03/2009 20:51:13 (5277 leituras)
Eugénio de Andrade

Elegia das Águas Negras para Che Guevara


Atado ao silêncio, o coração ainda
pesado de amor, jazes de perfil,
escutando, por assim dizer, as águas
negras da nossa aflição.

Pálidas vozes em prado procuram
O potro mais livre, a palmeira
mais alta sobre o lago, o barco talvez
Ou o mel entornado da nossa alegria.

Olhos apertados pelo medo
aguardam na noite o sol do meio-dia,
a face viva do sol onde cresces,
onde te confundes com os ramos
de sangue do verão ou o rumor
dos pés brancos da chuva nas areias.

A palavra, como tu dizias, chega
húmida dos bosques: temos que semeá-la;
chega húmida da terra: temos que defendê-la;
chega com as andorinhas
que a beberam sílaba a sílaba na tua boca.

Cada palavra tua é um homem de pé;
cada palavra tua
faz do orvalho uma faca,
faz do ódio um vinho inocente
para bebermos contigo
no coração em redor do fogo.


de Eugénio de Andrade em Poemas a Guevara (selecção e tradução de Egito Gonçalves - colecção Os Olhos e a Memória - Editora Limiar - 1975)

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Enviado por Tópico
jessébarbosadeolivei
Publicado: 16/03/2009 14:23  Atualizado: 16/03/2009 14:23
Da casa!
Usuário desde: 14/09/2008
Localidade: SALVADOR, Bahia ---- BRASIL
Mensagens: 368
 Re: Elegia das Águas Negras para Che Guevara
A SEIVA DA GRANDILOQUÊNCIA PERFUMA ESTE POEMA.
UM EPICÉDIO PRENHE DE LIRISMO E O MAIS LINDO
QUE JAMAIS LI. UMA ODE Á ALTURA DE CHÊ

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