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Carlos Drummond de Andrade : Confissão
em 28/09/2007 17:10:00 (8248 leituras)
Carlos Drummond de Andrade

Não amei bastante meu semelhante,
não catei o verme nem curei a sarna.
Só proferi algumas palavras,
melodiosas, tarde , ao voltar da festa.

Dei sem dar e beijei sem beijo.
(Cego é talvez quem esconde os olhos
embaixo do catre.) E na meia-luz
tesouros fanam-se, os mais excelentes.

Do que restou, como compor um homem
e tudo o que ele implica de suave,
de concordâncias vegetais, múrmurios
de riso, entrega, amor e piedade?

Não amei bastante sequer a mim mesmo,
contudo próximo. Não amei ninguém.
Salvo aquele pássaro -vinha azul e doido-
que se esfacelou na asa do avião.



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Enviado por Tópico
Tânia Mara Camargo
Publicado: 29/09/2007 14:19  Atualizado: 29/09/2007 14:19
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Usuário desde: 11/09/2007
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Mensagens: 4263
 Re: Confissão
Isabor, poema belissímo, bom gosto poetisa!

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