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POEMA DA NOITE VAZIA

 
Tags:  O poeta e a solidão  
 
POEMA DA NOITE VAZIA
 
Depois de algum tempo
pensando o poema,
queda, a um suspiro,
inerte, a caneta -
leve instrumento
que a mão do poeta
mal soube tocar...

Noite asfixiante.
A saúde precária.
A casa deserta.
À janela, entreaberta,
nuvens espessas
cobrindo o luar.

Exausto, cerro a cortina.
Dispo-me, agora, me deito.
Não quero, esta noite,
nem ler, nem rezar.

Sou - tal me sinto - um ser ectoplásmico -
vulto sem cor, crença ou pátria,
duplo etéreo, extemporâneo,
de um homem que se desconhece
e deixa a vida o levar.

Um outro e melhor poema
não me daria esta noite
com suas nuvens espessas
a recobrir o luar...


Sergio de Sersank
Visitem meu blog literário "Estado de Espírito"
http://sersank.blogspot.com

(Do livro "Estado de Espírito", de Sersank)



Imagem:

O poeta Mario Quintana em seu quarto no Hotel Majestik
(hoje Casa de Cultura Mario Quintana - PA)
 
Autor
Sergio de Sersank
 
Texto
Data
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1932
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Esta obra está protegida pela licença Creative Commons
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Enviado por Tópico
Karla Bardanza
Publicado: 06/02/2011 05:16  Atualizado: 06/02/2011 05:16
Colaborador
Usuário desde: 24/06/2007
Localidade:
Mensagens: 3491
 Re: POEMA DA NOITE VAZIA
Belíssimo poema.

Abraços


Karla B

Enviado por Tópico
Sergio de Sersank
Publicado: 06/02/2011 05:35  Atualizado: 06/02/2011 05:35
Super Participativo
Usuário desde: 13/01/2010
Localidade: Londrina-PR BRasil
Mensagens: 159
 Re: POEMA DA NOITE VAZIA P/ KARLA BARDANZA
Bom dia, Karla!
Você que trabalha tanto, varando como eu as madrugadas, bem que merece um domingo especial. É o que lhe desejo.
Fique bem, fique em paz e dê meu abraço ao estimado Julio.