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Poemas : 

Tributo a um lutador

 
Tributo a um lutador


Nascido na Encosta da Serra
“Serra Grande”, dizem que veio
No lombo de uma mula com arreio:
Cabestro, estribo, cincha e buçal;
Ala cria, deixou a casa natal
Sem esquecer a genealogia
Numa atitude ousada e bravia
De um colono germano, teatino
Nos altos do “Vale dos Sinos”
“Resolveu” aninhar “sua cria”.

Começou carreteando ao relento
Num trajeto da Serra ao Mar
Levava de lar em lar
Quitutes de todo jeito
Homem sério de grande respeito
Pela freguesia, muito aguardado,
Lingüiça, salame, toucinho defumado,
Ovo, galinha, queijo e schmia,
Vinho, cachaça e até “schpritspia”
Produtos caseiros, bastante apreciados.

Homem destemido, legendário
Seu ímpeto o fazia crescer
Seu lema era “vencer, vencer”
A custo de riso ou pranto
Nos outros causava espanto,
O raro tino, prá negociar,
Habilidade em se comunicar,
Facilidade em lidar com gado,
Na compra e venda era fascinado.
Largou a carreta e foi tropear.

Cabelos grisalhos, ondulados
Brilhavam na cavalgada.
Conduzindo a tropa pela estrada
Ou, quando, já confinado.
Ficava orgulhoso em ter lidado
Com toda aquela manada
Era o amor pela bicharada,
Era um relacionamento pacífico,
Até a porta do frigorífico,
Onde, prá alimento, era aguardada.

Tu orgulhaste tua prole
Lidando com gado e gente.
Fizeste germinar tua semente,
Numa terra bem planejada.
E, com a família estruturada,
Unida na mesma labuta,
Contava com a paciência da “Muta”,
Para enfrentar a realidade
Prosperou, conquistou a maturidade,
Não teve medo da luta.



Teu empenho não foi em vão
Como Germano insubmisso,
Soube honrar compromisso,
Assumido a fio de bigode,
Firmando que o “Alfredinho” pode.
A ti foram todos os louros
Ao fundar o teu “Matadouro”
Com valentia e humildade,
Garra, destemor e vontade,
Qualidades afetivas de ouro.

Velho, gaúcho da gema
Perito no dom do instinto;
Se, hoje sinto o que sinto,
Tu que me deste o ensino,
Nunca extraviaste o tino
De menestrel do saber,
Se a escrita é de quem souber ler
O sucesso é o trabalhar
Legado fácil de identificar
Naqueles que herdaram poder.

Arthur Alfredo Hoffmeister
Teus feitos, - façanhas eternas
Construíste pilastras modernas,
Estrutura firme alicerçada,
Princípio de nova jornada
Desafio para a descendência.
Somente com muita ciência,
Enfrentariam a realidade,
Tendo por alvo a continuidade
De perpetuar tua existência.

Vô, - tu és nossa história
Neste empreendimento legendário.
Figura central do cenário
Misto de sagrado, e guerreiro,
De colono e de campeiro,
Conquistador sem barganha.
“Nos serrados e na campanha,
Cortava este chão sagrado.
E, hoje todos nós enlutados,
“Saudamos a tua façanha”.

Portanto, quando nos lembramos
Que o vô Alfredo morreu...
Que tudo isso foi Seu,
Não nos é fácil compreender,
Pois, ninguém deseja morrer...
Saudosos então, entre nós...
Ainda ouvimos ”aquela” voz -
- Chamando: - “há-lo, êeessa”
E todos vinham prá mesa
Juntar-se aos queridos avós!

Maximo Enio da Silva

 
Autor
Maximoeniodasilva
 
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