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Poemas : 

Carta de amor a um peito aberto

 


Merendássemos o beijo como andorinhas de beiral. Fizéssemos ninho com fios de sol. Tivéssemos filhos de seda em casulos, bebêssemos orvalho por tisanas.
Plantássemos gerânios na boca de um lago, espreitássemos por canas a sede, disséssemos o que nos inquietava por rãs formadas em línguas.
Mandássemos vir exércitos em conchas de madrepérola, preenchêssemos os lugares com o cheiro que exalasse dos olhos da maresia
E nesse não sabermos que éramos felizes, tricotássemos um pulmão de nuvem no peito aberto que sobrasse de nós, e uma gaivota se encarregasse de levar para longe.

Depois morreríamos com o dia estendido a nossos pés, no pôr dos continentes, como ovos de tartaruga prestes a eclodir.


O meu verdadeiro nome é José Ilídio Torres. É com ele que assino os meus livros.
Já publiquei 10 obras em géneros diversos: crónica, romance, conto e poesia.
Foi em 2007, aqui no Luso, que mostrei pela primeira vez.

 
Autor
SilvaRamos
 
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Enviado por Tópico
martisns
Publicado: 30/07/2014 12:37  Atualizado: 30/07/2014 12:37
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Usuário desde: 13/07/2010
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 Re: Carta de amor a um peito aberto
Nas faces das palavras escrevem-se as lindas essências desses sentimentos que aflora em um belo ser.

lindo poema