Segue sem rumo, indecisa barca. Segue à deriva nas vagas, segue na vida incerta, em mares de sal e pedra.
Carregue sonhos contigo, ou qualquer cousa que tenha cheiro, que tenha cor; qualquer cousa que tenha e venha de onde for.
Carregue poesia singela, a flor do desejo. Carregue o aroma esfumaçante que vem de perfumadas velas.
Segue ao sabor dos ventos, indecisa barca. Não tente aprisionar pensamentos, nem a dor, nem a emoção. Não tente impedir o amor, pois, assim como o vento, eles veem e vão.
Segue por mares astrais, indecisa barca. Carregue queridos amigos, sirva de abrigo às almas imortais.
Leve meu corpo contigo, meus medos, meus gritos. Leve meu gozo infinito, distante, distante, pois eu não voltarei jamais.