Poemas : 

Cabem no meu corpo todos os rios do mundo

 
Cabem no meu corpo todos os rios do mundo
Trago-os nos sulcos da pele, como vida nas mãos
Com os que já morreram e com os que em mim ainda irão nascer

E tocando-lhes, percorro-os com os dedos
Seguindo novos caminhos, novos sentidos
Pois cada ruga da minha pele é água e terra
É corrente e paisagem da vida que vivi

Sinto-lhes o norte, o sul, e sei para onde vou

Assim será até ao dia que morrer, e se entretanto me olharem
Se de mim falarem, não digam que sou velho
Digam antes que sou um coleccionador de rios.


Viver é sair para a rua de manhã, aprender a amar e à noite voltar para casa.

 
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silva.d.c
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Enviado por Tópico
visitante
Publicado: 15/05/2015 19:32  Atualizado: 15/05/2015 19:32
 Re: Cabem no meu corpo todos os rios do mundo
*acompanho tua escrita e considero-a admirável.
rica analogia essa dos'rios'...
parabéns!
abraço
Karinna*


Enviado por Tópico
Margô_T
Publicado: 06/09/2016 08:09  Atualizado: 06/09/2016 08:09
Da casa!
Usuário desde: 27/06/2016
Localidade: Lisboa
Mensagens: 308
 Re: Cabem no meu corpo todos os rios do mundo
O corpo como um mapa, um mundo… repleto de sulcos que permitem o resvalar de vários rios, habitando-nos enquanto nos fazem, também, habitar o mundo em que vivemos – numa simbiose.
Que seríamos nós sem os “rios do mundo” que nos percorrem os “sulcos da pele” “como vida nas mãos”?
Há os rios “que já morreram” e há os rios que “ainda irão nascer” – ambos contidos no corpo onde cabem “todos os rios do mundo”.
Águas passadas, águas futuras, águas (que nos foram) furtadas… todas tocáveis pelos nossos “dedos”, “seguindo novos caminhos, novos sentidos”, à medida que, tocando, desviamos ligeiramente um dos rios e o vemos formar uma nova trajectória.

Nas rugas estarão os rios “que já morreram”, os rios que nos marcaram a pele e são “água e terra” porque “corrente e paisagem” – fluidez e quietude (ou não seria o Passado tão vívido em nós).
Estes rios acompanhar-nos-ão durante a vida… e iremos coleccioná-los a pouco e pouco, deixando-os permanecer na nossa pele. Seremos, portanto, um “coleccionador de rios”, guardando estas riolíquias na pele com extremo zelo… pois sem elas nada mais seríamos que um lago ressequido – estagnado, inabitável e lodoso.


Enviado por Tópico
visitante
Publicado: 23/05/2022 21:32  Atualizado: 23/05/2022 21:32
 Re: Cabem no meu corpo todos os rios do mundo
Que bom poder ler-te de novo, aqui.
Muito obrigada pela visita à minha página:)
Abraços

Enviado por Tópico
visitante
Publicado: 24/05/2022 00:49  Atualizado: 24/05/2022 00:49
 Re: Cabem no meu corpo todos os rios do mundo
Lindo leito que propaga numa plenitude onde os encantos da vida se traduz em magia regado pela água do tempo

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