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Contos : 

UMA JANELA PARA A ETERNIDADE - Parte 5

 
Sim, e nas suas tantas voltas, dias e noites se sucedem. Vivi tantos dias claros e límpidos, e tenho vivido uma noite tão escura e tenebrosa. Seriam as evoluções do globo um recado para o homem, lembrando-o das fases que a natureza humana precisa atravessar? Às vezes penso que sim. Nenhum recado jamais fora escrito de forma tão evidente e deslumbrante quanto este.
Estava eu ficando louco? Apegar-me tanto a uma história tão exótica e improvável assim era um sintoma que me preocupava. Mas eu era o primeiro a admitir que estava perdido. Sabe, eu não teria vergonha de enlouquecer por Clara. Claramente foram os loucos que mudaram o mundo! Não é uma frase parafraseada ou redundante, usada num bar qualquer e reproduzida por mim aqui. De fato, foram os loucos que mudaram o mundo! Só quando um doido apareceu e enfrentou o sistema imposto, ao custo de sua vida, saúde e bem estar, foi que as coisas mudaram. Só quando um “maluco” qualquer apareceu e levantou o véu que caia sobre todos, foi que as coisas clarearam mais. Nenhum cidadão sensato, cumpridor de suas obrigações civis, que penteava o cabelo como mandava o figurino, e acreditava conforme as regras, mudou o mundo. Eles estavam satisfeitos demais com ele, para mudá-lo. Alguns “doidos” tiveram a sorte de ter algum tempo de entrar para a história, ou mesmo serem reconhecidos. A maioria perdeu-se pelo caminho... destruídos, aniquilados, desonrados ou desconhecidos, em nome da sanidade da população e do status quo... E muitas ideias jamais foram conhecidas pela humanidade... Sabe... acho que não é tão mal ser chamado de doido...
Claro, em minhas mãos estava um livro que falava sobre duendes e fadas, e sobre um pote no final do arco-íris... Mas, se há cinquenta anos eu pegasse um livro, e em suas páginas estivesse escrito que uma máquina pesada carregando um motor a diesel voaria no céu, carregando pessoas e rivalizando com os pássaros, e eu de repente me pegasse acreditando nisso, eu também acharia que estava ficando louco. Se trinta anos atrás, alguém me dissesse que a civilização cristã se destruiria numa guerra sangrenta, regrada a genocídios, estupros e ódio... eu teria o prazer de chama-lo de louco.
Uma coisa que percebi é que as coisas mudam. Até o nosso Eu, o nosso ego, que achamos que nos acompanhará para sempre, como nossa identidade perpétua e indestrutível muda a cada dia. Eu já não gosto mais de muitas coisas que gostava em minha infância, e de certa forma, já não sou mais hoje quem eu era ontem.
Se houver uma mínima esperança para Clara, eu vou atrás dela. Um cientista genial disse certa vez que o coração tem razões que a própria razão desconhece. Foi com esse lema que eu percorri os caminhos que conto neste livro. Jamais se esqueçam dele, quando eu contar certas coisas que vi e vivi, e vocês se questionarem a respeito dessas desventuras, e porque um homem se sujeitaria a vivê-las. Razão é só uma palavra. Amor é um ato. Às vezes é preciso agir.


j

 
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London
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