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O DESEJO DE PEDRO

 
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Pedro e Ana formavam um casal muito interessante. Ela, uma moça alta e magra, era professora e costureira . Ele , um rapaz sem muita beleza, era agricultor e muito trabalhador. Os dois se apaixonaram e resolveram se casar. Ele só tinha a enxada e ela só tinha a máquina de costura e os livros.
Pedro e Ana se casaram e foram morar numa casinha de três cômodos, cedida pela mãe de Pedro.
Logo começaram a vir os filhos. O que era apertado ficou mais apertado ainda.
Com dois anos de casados tiveram o primeiro filho, uma menina sem muita beleza, mas guerreira desde o nascimento. Para decepção de Pedro, que desejava um menino.
Tiveram quatro filhas em oito anos de casados. Sempre que nascia uma menina era visível a decepção de Pedro, que sempre quisera ter um menino , um herdeiro da enxada. Às vezes chegou a questionar Deus por não lhe dá um filho "macho".
Foi então que na quinta gravidez Pedro comemorou.Pois bem, dessa vez veio um menino . Mas ele era muito doente , para decepção de Pedro, que queria um menino saudável. Culpou novamente Ana por não lhe dá o filho que esperava ter.
Colocaram no menino o nome Francisco, mas o chamavam de Marquinho.
Marquinho cresceu rodeado do amor de seu pai e achando que podia fazer quase tudo. Logo cedo foi para a escola e mostrou que era muito inteligente. Mas não dava valor o que Pedro lhe dava. Criticava a mãe e desprezava o carinho das irmãs. Era rebelde e só fazia o que queria. Chegou a querer sair de casa porque não queria os conselhos de seus pais. Pedro então culpou Deus por ter lhe dado um filho diferente das filhas, que eram amáveis com ele. Cercavam-lhe de cuidados e carinhos. Ana culpava Pedro por não ter pulso com Marquinho.
O pior foi quando Marquinho, com catorze anos, juntou-se com um rapaz que bebia e fumava. Passou a sair de casa nos finais de semana, chegando alcoilizado, quebrava os poucos móveis que tinham.Às vezes derramava a comida que, carinhosamente, sua mãe preparava para ele. Era um terror quando Marquinho chegava drogado. Todos corriam de casa, menos a mãe e o pai.
Uma noite Marquinho , com vinte anos, tentou assassinar o pai . Esse dia foi decisivo para a família se separar de Marquinho. O pior era que muita gente não acreditava que o rapaz educado do mercantil fosse tão violento em sua casa.
Quando Pedro olhava suas filhas encaminhadas na vida, todas elas com diplomas , trabalhando e vivendo honestamente, sempre batia uma inquietação em seu coração.
Um dia Marquinho aprontou com uma pessoa de fora e foi embora para Mato Grosso. Passaram-se cerca de doze anos até Pedro e Ana terem notícia do filho que tantas vezes seguraram no colo, e que nunca lhes deu um dia de paz.
Souberam que ele estava trabalhando numa fazenda em Mato Grosso. Quem lhes trouxe a mensagem disse que Marquinho era conhecido por outro nome , e que trabalhava só pela comida , praticamente. Já que o salário jamais daria para ele voltar para casa.
Dizem que ele chorava muito quando tinha que fazer os trabalhos só pela comida .
Mas Pedro já não queria mais um filho. Pois estava velho e lembrava das noites de terror. Noites em que a comida era jogada no quintal da casinha onde morava. Agora estava rodeado de suas filhas e netas. E se sentia muito bem ao lado delas. Ele ainda pensava no filho, mas ficara decepcionado. Pedro aprendeu que cada um colhe o que planta. Hoje ele tem um olhar muito distante, mas dorme tranquilo.

Lucineide





A poesia corre em meu sangue
Como a água corre no rio
Sem ela sou metade de mim
Meu nome é fruto de poesia.





 
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Lucineide
 
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