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Poemas : 

Morrem no peito Legiões

 
No ciclo eterno das estações, em cada nova reunião
A percepção exacta da palavra, do gesto
Como prolongamento, como extensão da âncora
Fundeada no longínquo mar dos meus ancestrais.

A nítida dimensão onde adormecem os sentidos
A claridade dos dias, a luminosidade das noites
Confinadas aos cantos desta dor
Em demorados rituais, em prolongadas penitências.
...
À luz de outras existências, noutras sangrentas arenas
Tolhidos movimentos, envoltos, por lúgubre manto
Qual pesada lacerna

Na demanda que cruza este avito tempo
Desfaço a alma, contorço o corpo
Esfolo dos pés a pele, em passos sem cáliga.
...
Percorro o vazio da antecâmara até à boca
Revela-se agora um acústico círculo de vozes em coro
Onde se faz murmúrio e do murmúrio a palavra
E da palavra o cântico, rasgado por gritos

A plena evocação, à alma de todos os corpos
À loucura dos massacres
Ao delírio de todas as dores, num único momento.


Viver é sair para a rua de manhã, aprender a amar e à noite voltar para casa.

 
Autor
silva.d.c
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Enviado por Tópico
Gyl
Publicado: 19/07/2017 00:20  Atualizado: 19/07/2017 00:20
Membro de honra
Usuário desde: 08/08/2009
Localidade: Brasil
Mensagens: 15030
 Re: Morrem no peito Legiões
É o que eu chamaria de "luta intestina". O homem e suas indagações, seus reflexos e suas reflexões. Um bom texto para ser ler e para se pensar. Abraços!

Enviado por Tópico
Jorge-Santos
Publicado: 12/02/2019 16:10  Atualizado: 14/02/2019 10:53
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Localidade:
Mensagens: 1746
 Re: Morrem no peito Legiões




















Morrem no meu peito leões, embora haja regiões dele tão desertas que nem um grifo pousa nele quanto menos numa legião de corpos mortos...inchados, podres, pobres leões de guerra !!!