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Poemas -> Amor : 

Metade de Mim

 
Metade de mim
é emoção
e deseja teu corpo ao alcance da minha mão
a outra metade
é razão
e imune te afasta, ignora, finge ilusão.

Metade de mim
lembra o calor ardente do teu abraço
a outra metade
insensível, nega a existência do laço.

Metade de mim
quer novamente ouvir tua voz
a outra metade
implacável, exige que esqueça de nós.

Metade de mim
é sonho acordado de desejo e lembrança
a outra metade
inabalável lucidez que cessa a esperança.

Metade de mim
emoção
grita teu nome ao vento
incontida, desesperada de paixão
a outra
indiferente se cala, sem nenhuma razão.


rosemari hauenstein ruch



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rosemari
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Enviado por Tópico
Hisalena
Publicado: 17/03/2008 21:57  Atualizado: 17/03/2008 21:57
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Localidade: Leiria
Mensagens: 730
 Re: Metade de Mim
Gostei do seu poema, creio que descreve muito bem o dilema que sente quem tem o coração dividido entre esquecer e deixar continuar.
Identifiquei-me com ele...com essa divisão que nos deixa sem saber para onde ir nem que caminho escolher.
Muito bonito, com muito sentimento e muita verdade.


Enviado por Tópico
RosaMel
Publicado: 01/09/2008 04:16  Atualizado: 01/09/2008 04:16
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Usuário desde: 13/06/2008
Localidade: Porto Alegre
Mensagens: 515
 Re: Metade de Mim/ p Rosemari
Querida poetisa Rosemari!
Por incrível que pareça , nós sempre nos sentimos metades e na realidade somos metades, porque queremos demais, amamos demais e sofremos demais.
E quando ficamos sós, somos metade do que se foi.
Belíssimo poema de grandes verdades, parabéns.
Beijinho iluminado.
RosaMel.


Enviado por Tópico
martims
Publicado: 07/07/2015 00:31  Atualizado: 07/07/2015 00:31
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Mensagens: 6753
 Re: Metade de Mim
Desejos que se completam na mai evante paixão vido dos olhos algo que se completa numa intensidade, o prazer encontra sua outra metade, numa prazerosa sedução.

Um poema enaltecedor, somente te aplaudir poe essa delicia


Enviado por Tópico
visitante
Publicado: 07/02/2017 19:37  Atualizado: 07/02/2017 19:41
 Metade de Mim
Metade de mim (desculpa o testamento,depois apago)

Pekíng, China — 30 de abril de 2013


Nasci em Grândola-Portugal, em 1961 a 3 de Julho, na vila que deu o mote para a canção da liberdade em Portugal, (Grândola Vila morena) no 25 de Abril de 1974,os meus pais trabalhavam no campo, nessa zona do país de grande proprietários tradicionalistas e baixos salários, daí terem migrado para uma cidade maior e nesse tempo, mais industrial, Setúbal.
Começou o meu pai, por trabalhar na montagem automóvel, um pouco mais bem remunerada, mas que o obrigou a abraçar a profissão de Barbeiro, por conta própria num pequeno estabelecimento, (onde ainda hoje ainda trabalhamos, apesar deste ter 81 anos de juventude) revelou-se uma profissão mais compensatória para ambos que o trabalho sazonal no campo a que estava sujeito no Alentejo Português ou o trabalho de linha de montagem industrial e rotineira, apesar de tudo, aí era mais bem pago, mas muito duro, também eu trabalhei na industria naval embora estudasse durante a noite, pensava tornar-me num cinzento advogado de divórcios e outras causas litigiosas.

Cedo surgiu em mim o gosto pela aventura e pelos grandes espaços e foi como uma bola de neve que fui travando conhecimento com aventureiros e escaladores assim como o primeiro escalador Português do Evereste, João Garcia com o qual conheci os Himalaia e os Andes Chilenos.

Durante os 13/14 dias em que percorri o GR 11 a pé, desde Irun não parei de pensar na próxima aventura e pareceu-me apropriado que, se conseguia correr os 800 km e 40.000 metros de desnível acumulado do GR 11, desde o Atlântico até Cap de Creus no Mediterraneo (apenas mais seis ou sete dias que o célebre Catalão Kilian Jonet, com metade da minha idade) como já tinha feito de bicicleta em sete dias o Caminho de Santigo Francês e cruzado em Burgette/Roncesvalles os Peregrinos que se dirigiam a santiago pelo que o mais apropriado seria cruzar de bicicleta, (por etapas tal como tinha feito estas duas travessias da península Ibérica) toda a zona Continental contínua da China até ao extremo ocidental da Europa mais ou menos pelo mesmo paralelo da península Ibérica e ainda mais porque todo o fluxo histórico parecia vir desta direcção, todo o comércio não só da seda mas da sede de conhecimento humano.

Talvez fosse mais sensato descer toda a América de bicicleta, com maior segurança, mas as cidades mais importantes estavam na Asia Central, Samarkand, Bukhara, Khiva, Urgench ou Merv e Portugal ou a Espanha tinham ditado o fim dessa rota milenar, nada mais apropriado que prestar homenagem as Caravanas e aventureiros que se haviam perdido nesses caminhos tal como Marco Polo e outros, sem registo nas histórias contadas junto das fogueiras dos acampamentos sob as estrelas que ainda hoje são as mesmas e que me servirão todavia de tetcto.

Será a primeira vez, que irei percorrer um tão grande número de quilómetros em tão poucos dias, sou Português por nascimento e barbeiro de profissão, o tempo de descanso é curto e dependo unicamente do meu trabalho,pelo que tenho de tirar partido do pouco tempo livre e fazer o máximo nesse espaço de tempo, neste caso 4.500 em trinta dias, quase a distância de Madrid a Moscovo num mês, ou seja, terei de percorrer 150 quilómetros por dia sem descanso durante esse espaço de tempo.

Será a primeira etapa de um plano ambicioso em que tenciono pedalar até ao extremo mais ocidental da Europa, o cabo Sardão nas praias de Portugal no Alentejo.

Comecei por pedir a aplicação do visto para a China no passaporte (disseram-me na agencia de viagens onde comprei o bilhete de avião que não seria necessário visto para o Quirguistão) demorado e burocrático foi este visto para a China,, fazendo-me sentir como seria difícil o percurso num dos maiores países do mundo mas também um dos mais burocráticos.

As próximas fases serão o fazer listas o mais concisas possível dos objectos a transportar, arrumá-los e depois ir retirando tudo o que não for absolutamente necessário a sobrevivência diária, a roupa, á parte os calções almofadados de ciclismo, será comprada nos mercados locais para me parecer o mais possível com os habitantes de cada região (cada uma delas do tamanho de países como a França a Espanha ou a Polónia).

Lembro-me, passados tantos anos de uma série de televisão que me iluminava os olhos e a alma apesar de ainda ser a preto e branco. Ah, e aquela música de Kitaro emocionava-me pela magia dos novos sons orientais,(The silk Road) Kitaro era o musico Japonês que compunha a banda sonora e teve aquela musica a faculdade de um despertar para o oriente e para a mítica rota-da-seda, algo até então longínquo como hoje ainda é, as cidades chinesas e todas ao longo desta rota milenar modificaram-se entretanto mas espero ver um ultimo vestígio das imagens com que aprendi a conviver faz quase 40 anos, na serie televisiva que esperava semanalmente ver no minúsculo ecrã ,um aparelho ligado a uma bateria pois não possuía electricidade em casa, isso eram coisas de meninos ricos e a minha casa era no campo, quase sem caminhos nem agua canalizada ou casa de banho como hoje dificilmente conseguem imaginar.

Lembro-me da inveja que tinha dos outros meninos da escola, falavam de ouvir música num gira-discos e eu nem sabia o que isso era, agora não invejo os sedentários dos meus colegas de turma, um deles bastante famoso, José Mourinho, mas com o qual, não trocava a liberdade suprema, de me perder na vastidão do mundo.

Talvez por isso sinta mais afinidade com estas civilizações do mundo do fim do mundo, do que com o acanhado ocidente, dito civilizado e homologado…

Há duas vias ou formas para alcançar o Ocidente vindo da China através do deserto do Taklamakan ou pelo norte via Turpan e Urumqui,ou junto a fronteira do Tibet por Golmud e yarkand, no coração do deserto de areia quente, será esse, o meu percurso, o mais longe possível dos autocarros de turistas que insistem em visitar a imponente muralha da China e em transformar as rotas da seda em mais um circo ou uma Disney, no fim do caminho Chines, estará uma cidade muito importante desta rota milenar, Kashgar onde confluem as varias vias para o ocidente e também o caminho Norte Sul para o Afeganistão e Paquistão que dava acesso a antiga cidade de karakorum na Mongólia a norte do Altai, e que ainda dá o nome a uma das mais altas passagens do mundo o karakorum pass.

Torugart pass será um dos pontos históricos mais importantes desta primeira etapa por existe aí um caravansary (local fortificado e refugio de caravanas durante a noite)em bom estado de conservação onde poderei sentir alguns restos da poderosa energia que levou os homens a caminhar para ocidente.
Tenho viagem marcada no fim do mês de Junho em Bishkek no Kirguistão, antiga república da Confederação Russa e um mês para pedalar entretanto,rumo a esse destino, começando em Xi’an, berço da China actual no dia 30 de Maio de 2013.

Em 2014 Retomarei de Bishkek, o caminho até Istanbul através do Irão e do monte Ararat, o monte da fantástica arca de Noé e em 2015 cruzarei, se Deus quiser, Alá ou Confúcio a Europa até ao cabo mais ocidental, o cabo Sardão nas praias de Portugal.

Jorge Santos (namastibet@gmail.com)
http://namastibet.blogspot.com


Enviado por Tópico
Semente
Publicado: 17/02/2017 11:27  Atualizado: 17/02/2017 11:27
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Localidade: Ribeirão Preto SP Brasil
Mensagens: 8375
 Re: Metade de Mim/para Rosemari
Olá Rosemari, bom dia !

Um poema instigante, que faz pensar sobre a natureza humana, quando percebemos em nós, mesmo que imperfeitamente, o contraste das metades. Igual aos opostos da vida como luz e sombra, frio e quente, dia e noite, concreto e abstrato...

Parabéns, gostei muito da forma como poetizou suas metades.

Enviado por Tópico
Juanito
Publicado: 17/02/2017 16:28  Atualizado: 17/02/2017 16:28
Colaborador
Usuário desde: 26/12/2016
Localidade: España
Mensagens: 1403
 Re: Metade de Mim
Magnifico.

Uma parte de nós é sonho e a outra: razão.

Eu prefiro o sonho mas não posso mandar embora à razão.

Parabéns!!
Um abraço

Enviado por Tópico
Juvenal Nunes
Publicado: 18/02/2017 21:56  Atualizado: 18/02/2017 21:56
Da casa!
Usuário desde: 28/07/2013
Localidade: Douro Litoral
Mensagens: 345
 Re: Metade de Mim
De facto vivemos no balancear dessas dualidades de que fala. Afinal. talvez seja isso mesmo que nos torna mais humanos e terra-a-terra.

Juvenal Nunes