Poemas : 

Do Amor e outros Demônios

 
Lá fora, o mundo se contorce na sua dança febril, mas aqui, no santuário do nosso segredo, o espaço se faz denso, carregado de silêncios cúmplices. Fechamos as portas para a turba profana, mas deixamos o sol, esse astro melancólico, que tinge de ouro o nosso isolamento.
Mesmo sem pronunciar o teu nome,
grito-te: FICA! Queiras sentir o peso das minhas palavras, embebidas de vinho e dor, destiladas do âmago mais sombrio. Conta-me a tua verdade, mesmo que seja amarga, como o absinto que nos une e nos separa. Brinquemos, então, de sermos um para o outro, entrelaçados nas sombras das nossas virtudes e vícios.

Canta, comigo, as nossas virtudes frágeis, as nossas fraquezas secretas, como se fossem uma ladainha blasfema, uma ode à decadência. Eu quero-te, mas quero-te inteiro, na tua miséria e esplendor, no grito abafado e no sussurro rouco. Vem em verdade. Vem, e fica!

Deixa-me beijar as tuas feridas, sorver o teu sangue e a tua angústia. Não te protejas, lança fora essa armadura de ilusões, e aceita que a dor é a nossa única certeza. Mas, talvez, aqui, neste instante roubado, possamos nos iludir de que ela não nos pertence.

Deita o fardo dos teus dias no meu colo, evoca a tua infância perdida, esquece a máscara que vestiste para o mundo. Lembra-te de quem foste, antes que o tempo deformasse-te, antes que a vida corrompesse-te.

Ah! se pudesses ver, no vermelho do meu sangue, o teu nome gravado como um juramento. Eu na amargura doce dos teus lábios, reconheci-te, era você, mesmo que ainda perdido na tua própria escuridão, sem saber de ti, sem saber de nós.

Sem eu saber, era você!


Sta. Rochaaa

 
Autor
rebecarocha
 
Texto
Data
Leituras
488
Favoritos
0
Licença
Esta obra está protegida pela licença Creative Commons
4 pontos
0
2
0
Os comentários são de propriedade de seus respectivos autores. Não somos responsáveis pelo seu conteúdo.

Links patrocinados