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Poemas : 

no violoncelo

 








em sofreguidão

o improviso arde no violoncelo

na mão, delírio

nas cordas, chaga

nasce no sublime

a eternidade















Zita Viegas















 
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atizviegas68
 
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Enviado por Tópico
Gyl
Publicado: 04/07/2018 23:06  Atualizado: 04/07/2018 23:06
Membro de honra
Usuário desde: 08/08/2009
Localidade: Brasil
Mensagens: 15391
 Re: no violoncelo
Música e poesia são irmãs siamesas e primas da matemática. Adorei, Zita! Fica bem!

Enviado por Tópico
Rogério Beça
Publicado: 04/07/2018 23:14  Atualizado: 15/08/2018 14:20
Colaborador
Usuário desde: 06/11/2007
Localidade:
Mensagens: 1699
 Re: no violoncelo
Curioso o poema ao Violoncelo.

Porque não se trata dum violino, nem duma viola, mas duma dimensão em tudo semelhante ao contra-baixo.
Engraçado que, há tempos atrás, achava o improviso mais coisa do último. Como se procurasse um jazz (eu).

Contudo a imagem dum(a) violoncelista nessa sofreguidão, nesse delírio, é bem gostosa.
Donde virá ele?
Coloca-se a hipótese do divino, do destino em desatino, atribui-se artes mágicas, dons...

Ou apenas mais um momento de inspiração, verdadeiro mote do poema, que existe com experiência, conhecimento, repetindo certos andamentos e tirando outros tempos...
Acrescentando vírgulas, juntando palavras...

Inventos em ventos.

Chaga é a partitura do poema, porque o improviso fere-nos, sobretudo os leitores.

Obrigado,
mais uma vez.

Enviado por Tópico
Margô_T
Publicado: 24/01/2020 12:37  Atualizado: 24/01/2020 12:37
Da casa!
Usuário desde: 27/06/2016
Localidade: Lisboa
Mensagens: 295
 Re: no violoncelo
Enigmático como todo o (grande) poema deve ser.
E por isso o sentido literal perde-se na ambiguidade das palavras e no jogo que estas criam no subconsciente de cada um.
Palavras como "sofreguidão" e "improviso" acentuam este "deixar-se ir" nas palavras, nos sentidos sem sentidos dos versos, na pura fluidez da estrofe e das imagens que ela nos cria.
Sôfrega viajo de improviso na musicalidade do teu poema... sentindo que o desejo se expressa através das palavras de espontaneidade (mais uma vez: "sofreguidão" e "improviso") e do "arder" que vem do violoncelo.
Também as cordas existem no poema, local onde a mão se demora para aconchegar e criar a música... Mas há mais do que isso: o instrumento tem "chagas"... ranhuras onde o toque (musical ou não) se sente, fazendo vibrar a madeira. De todo este momento, que pode ser alguém vibrando na música que toca, que pode ser alguém tocando num outro corpo, nasce "a eternidade"... aquela sensação de tempo sem tempo que vem do "sublime" que aqui irrompe... nos teus versos.
Já tinha saudades de te ler!

Beijinho