
Contração Sensual
Ontem, bateu-me à porta um corpo abatido,
que tinha um sorriso torto e apodrecido;
estendeu-me a mão de um marrom escuro,
igual à de um pedreiro que constrói um muro.
É tão fria a isonomia desta porta que, aberta,
ao se abrir, exportou para o mundo um torto sorriso;
mas, só porque ela se abre de forma encoberta,
pus para dentro o findo do meu juízo.
Então, é melhor não perder-me em delírios;
o que mais importa é o corpo na porta,
que trazia nos olhos a mais pura escultura
e, em suas mãos, a imagem de morta,
refletida no sorriso da sua triste figura.
Se a porta ou a morta é real... não importa;
a imagem refletia excitação surreal.
No seu peito, via-se a artéria aorta,
que trazia em seu bojo uma contração sensual.
Alexandre Montalvan
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