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Poemas : 

Caverna Noturna

 
O esforço hercúleo me domina
Na labuta diária da sobrevivência
Talvez te engane a minha aparência
Igual a tua que a minha abomina.

São horas e horas desgastantes
Uma parte da noite que me furta
Cerco minha vida feito uma Murta
Minha vida de mil sonhos gestantes .

Divido minha casa-caverna-noturna
Com algo que é de mim semelhante
Engendrado dentro da mesma vulva
Tendo a paternidade d'outro ruminante.

Quando a baba de Caim espumo
E meus olhos vertem fluidos escarlates
Saiba que eu não valho meio-quilate
Daquilo que de ti sai em sais, em sumo.

Não me confunda com minha prenhez
Nem me maltrate como eu costumo
Te maltratar com a minha mesquinhez
Pois exalo enxofre e fogo eu... Fumo!




Gyl Ferrys

 
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Gyl
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Enviado por Tópico
visitante
Publicado: 01/05/2019 23:36  Atualizado: 01/05/2019 23:36
 Re: Caverna Noturna
Muito bem escrito, em minha opinião. Gostei muito.
Certamente haverá muita ironia no conteúdo do poema, não?


Enviado por Tópico
visitante
Publicado: 02/05/2019 02:33  Atualizado: 02/05/2019 02:34
 Re: Caverna Noturna
👏👏👏👏
😘😘


Enviado por Tópico
Migueljaco
Publicado: 06/05/2019 03:19  Atualizado: 06/05/2019 03:19
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 Re: Caverna Noturna
Boa noite Gyl , teus versos exalam um personagem que reconhece tratar o ser desejado de forma inadequada, mesmo recebendo deste um caloroso aconchego, parabéns pelo vosso incisivo poema, MJ.

Enviado por Tópico
Namas-tibet
Publicado: 07/05/2019 09:13  Atualizado: 07/05/2019 09:13
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 "Gilgamesh"











A "Epopeia de Gilgamesh" é o texto literário mais antigo. Este poema épico da antiga Mesopotâmia, composto em doze cantos com cerca de 300 versos cada um, e datado de cerca de 3600 a. C.

Refira-se que Gilgamesh, cuja nome significa "o velho que rejuvenesce", foi rei da Suméria e fundador da antiga cidade de Uruk (que se situava a algumas centenas de quilómetros de Bagdad, capital do Iraque). Diz a lenda que Gilgamesh tinha dois terços de origem divina, visto que era filho da deusa Ninsun e do sacerdote Lugalbanda, tendo-se distinguido entre os demais chefes da cidade da Suméria pela coragem e outros atributos afins.

A primeira versão do poema épico, preservada em placas de argila, com caracteres cuneiformes (em forma de cunha), foi encontra numas ruínas da Mesopotâmia, no séc. XVIII a.C., altura em que foi também decifrada. O poema terá sido posteriormente traduzido em várias línguas, sendo a tradução mais completa e conhecida a que pertencia à biblioteca de Assurbanipal - o último grande rei do Império Assírio.

Na primeira parte do poema, Gilgamesh encontra Enkidu, um selvagem enviado pelos deuses para evitar que o rei continuasse a oprimir o povo de Uruk (que era tido ora como sensato, ora como despótico e dado a extravagâncias). Os dois tornam-se amigos, partem numa viagem, enfretam obstáculos. Enkidu morre mais tarde e Gilgamesh, em sofrimento pela morte do amigo, intenta uma longa e perigosa jornada que o levará, acredita, a descobrir o segredo da vida eterna.















Enviado por Tópico
Volena
Publicado: 25/05/2019 12:17  Atualizado: 25/05/2019 12:17
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 Re: Caverna Noturna PGyl
Não me pareceu fumaça, mas ironia transparecendo pelo meio do fumo. Brilhante, a máxima pureza do poeta! Abraço amigo poeta, Vó