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Poemas : 

Ensaio sobre o cegueira (versão egocêntrica)

 

Eu escrevo pra silenciar
Essas vozes da minha cabeça
Nunca precisei chorar
Só espero que a dor enfraqueça

Minha loucura gritando
Enquanto o medo me abraça
Essas vozes tão me matando
E o desespero não passa

Quando os sonhos são conduzidos
Os pesadelos são bem mais reais
Quando os sábios são confundidos
Não adianta escrever sobre a paz

O desespero fica maior
Sou estoico do coração inquieto
Mas meu medo é pior
Ele me tem por completo

Não vivo a vida que eu quero
Só vivo a vida que eu tenho
Sempre fui paciente, eu espero
Paciência é questão de empenho

Não quero a vida sorrindo pra mim
Eu também nunca tô sorrindo pra ela
E esse vazio não tem fim
Minha neurose sempre causa sequela

Onde a saudade tanto faz
O esquecimento faz bem
Eu já deixei tanta coisa pra trás
Coisas que me deixaram também

Se o arrependimento matasse
Quem estaria vivo agora?
Se a saudade falasse
Pessoas que amo não estariam lá fora

O mundo fazendo barulho com tudo
Eu sou totalmente o oposto
Fazendo silêncio no mundo
Vivendo meu próprio desgosto

Vou falar mal do executivo
Fazer umas linhas sobre o racismo
O judiciário bate, culpo o legislativo
No sofá eu sou o rei do ativismo

É a lei da redundância
Tomando forma circular
É a lei da ignorância
Mandando seu filho estudar

Eu sou a contradição
Minha poesia imigrou
Eu não escrevo com o coração
Abraço mundos com a mão que sobrou

Não sou puritano, nem moralista
Todos meus livros vou ter que queimar
Sou refém, sou sensacionalista
Minha filosofia os padrões vão ditar

É a ditadura de tudo e tudo virou nada
Sou eu e minha maldita percepção
Eu sou a resposta mal estruturada
Das perguntas sem solução

Vou ter que lidar com o medo
Vou ter que aceitar o desespero
E minha dor de mais cedo
Dela eu não sou prisioneiro

Agora eu posso aceitar
O que não podia entender
Minhas vozes só vão parar de falar
Quando meu coração parar de bater
















Jeferson

 
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Jdcc1
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