A Minha Vida
Oh, Deus! Por que me deste a vida,
mostrando-me o feio e o belo,
debaixo deste sol de luz ardida,
que aquece casebres e castelos?
Por que, nas noites que são escuras,
na plenitude entre ódios e amores,
tão fácil é ouvir risos e agruras,
enquanto alguns recebem dor e outros, flores?
Oh, Deus! Fecha os meus olhos para a vida,
e tudo o que existe deixará de existir.
Do mundo consegui apenas feridas;
até o amor apagou o meu sorrir.
Que pode ser a vida nesta imensidão,
que explode sem uma aparente razão?
E que força é esta que a governa?
Será a vida um pequeno pingo amarelo
a cintilar por instantes na escuridão eterna?
Alexandre Montalvan