https://www.poetris.com/
Poemas -> Reflexão : 

TEM DIAS...

 
Tags:  amor    solidão    palavras    Individualidade  
 
TEM DIAS...

Aquilo que eu sinto nem eu sei descrever.
Não sei o que sinto!
Invento palavras, versos e poemas,
que terminam invariavelmente despidos de conteúdo.
Falta-lhes energia, vida, paixão,
o mesmo que me falta a mim, um propósito digno.

Eu queria com as minhas palavras mudar o mundo,
mas o mundo não muda só com palavras.

E eu continuo a caminhar por esta vida sem rumo,
como um mendigo que dorme à beira da estrada,
sem tecto e sem amor, só,
figurante numa história que devia de ser minha.

Aquilo que sinto é como um murro no estômago,
um grito de revolta preso na garganta,
uma vontade incontrolável de mandar para o inferno
(pró caralho, vá!),
tudo e todos os que me magoam
e que me fazem escrever estes versos sem sentido.

É doloroso viver assim.
Mas o que me consola,
é que é preferível sofrer vivendo
do que não viver sequer...

E por isso arrisco,
e por isso persisto,
e por isso luto, ganhando e perdendo batalhas,
e por isso ouso remar contra a maré,
e insisto na minha individualidade.
Sou o que sou, como sou,
e ser diferente pode ser bom.
Vá, tem dias...
 
Autor
pedrobito
Autor
 
Texto
Data
Leituras
90
Favoritos
0
Licença
Esta obra está protegida pela licença Creative Commons
4 pontos
2
1
0
Os comentários são de propriedade de seus respectivos autores. Não somos responsáveis pelo seu conteúdo.

Enviado por Tópico
visitante
Publicado: 06/08/2019 09:58  Atualizado: 06/08/2019 09:58
 Re: TEM DIAS...
pró caralho! isso é linguagem da minha terra!

o outro também dizia que não queria mudar o mundo, no entanto acabou por se mudar a si mesmo e com isso deu um forte contributo para mudar o mundo. também é com palavras que o mundo vai mudando, mas é essencialmente com atitudes que ele muda. a coerência entre o que se diz e faz. compreendo que alguém com dez anos de idade escreva um poema a dizer que não sabe quem é agora quando leio um poema com o mesmo conteúdo de alguém com mais idade fico um bocadinho incrédulo a pensar, como é que é possível andar tantos anos distraído. gostei muito desta leitura. um bom dia