Eu sou um vazio,
Um espaço em branco,
Onde as palavras se perdem,
E o silêncio é a única resposta.
Procuro-me em cada verso,
Em cada linha que escrevo,
Mas onde estou?
Em que canto do meu ser?
Talvez eu seja um sussurro,
Um eco de vozes esquecidas,
Ou um grito no deserto,
Que se perde no vazio.
Mas o vazio,
Não é vazio,
É um espaço,
Cheio de possibilidades,
Um lugar onde,
O NADA ganha forma,
E se transforma em algo,
E o silêncio,
Se torna uma canção.
Pergunto ao espelho,
Se ele me vê,
Se ele sabe,
Quem eu sou,
Ou se é apenas,
Um reflexo.
Mas o espelho não responde,
Apenas reflete o meu olhar,
E eu continuo a procurar,
Pelo meu próprio rosto.
Eu sou um labirinto,
Um emaranhado de caminhos,
Onde me perco e me encontro,
E nunca sei quem sou.
Mas é nesse labirinto,
Que eu encontro a minha liberdade,
A liberdade de ser,
De ser o que eu quero ser.
E é nesse silêncio,
Que eu encontro a minha voz,
A voz que grita,
Sou eu,
Sou eu,
Sou EU.
Diogo Cosmo ∞
Cascais 1988
DIOGO Cosmo ♾