https://www.poetris.com/
Poemas : 

De Voz Na Mão

 
Aqui
impero,
sou tirano e tinto,
nesta página plena de Branco
o que consinto, o que penso, sou soberano.

Num mundo feito de agoras meus
não há um só segundo de demoras,
ou minutos de direito, apenas horas
para tudo,
para tudo sou deus.

E mudo
nas letras e nas caras.
(re)Tiro as consoantes antes, as vogais,
dou-as ao vento e à luz,
à água e à sede.

Aqui
impero
de voz na mão.


Sou fiel ao ardor,
amo esta espécie de verão
que de longe me vem morrer às mãos
e juro que ao fazer da palavra
morada do silêncio
não há outra razão.

Eugénio de Andrade

Saibam que agradeço todos os comentários.
Por regra não respondo.

 
Autor
Rogério Beça
 
Texto
Data
Leituras
138
Favoritos
1
Licença
Esta obra está protegida pela licença Creative Commons
11 pontos
1
1
1
Os comentários são de propriedade de seus respectivos autores. Não somos responsáveis pelo seu conteúdo.

Enviado por Tópico
AntonioCosta
Publicado: 03/06/2020 19:27  Atualizado: 03/06/2020 19:27
Muito Participativo
Usuário desde: 02/05/2020
Localidade:
Mensagens: 85
 Re: De Voz Na Mão
AS PALAVRAS

São como um cristal,
as palavras.
Algumas, um punhal,
um incêndio.
Outras,
orvalho apenas.

Secretas vêm, cheias de memória.
Inseguras navegam:
barcos ou beijos,
as águas estremecem.

Desamparadas, inocentes,
leves.
Tecidas são de luz
e são a noite.
E mesmo pálidas
verdes paraísos lembram ainda.

Quem as escuta? Quem
as recolhe, assim,
cruéis, desfeitas,
nas suas conchas puras?

Eugénio de Andrade