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Poemas : 

Sonata de fim de tarde

 


Um pássaro quis emoldurar-se pelo sol; lá ficou por alguns segundos a se fazer estampa em meus olhos... depois fugiu, em queda livre, para se embrenhar em folhagens. A bola vermelha, por mais alguns segundos, agarrou-se no céu, até cair sem forças para o abismo de onde nascem os dias. Estremeci diante daquele belo desmaio como se minha alma também tivesse esmaecido... mas não! Fez questão de se manter forte permitindo que o silencio me vista de solidão; a indumentária que ela acha ideal para que eu receba a noite que vem chegando vaporosa em seu manto escuro e consigo traz, sempre, a vontade de chorar num cálice de lembranças. Não foi possível resistir... entornei todo conteúdo memória adentro enquanto o vai e vem triste do passado risca minha alma até extrair o choro das cordas de um violino.

 
Autor
Amahnaiara
 
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