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Pai José - Um russo na taberna

 
XXI
Russo na taberna

Nesta manhã, por volta das nove horas, depois de terminar o trabalho no Mercado do Peixe, fui à taberna do Sr. Pinheiro na subida da rua Afonso Pena tomar uma água vida. O lugar era simples, havia duas portas, duas mesa com três bancos de madeira, uma de cada lado e um balcão de madeira no meio. Deixei o carro na calçada e entrei. O Sr. Pinheiro lavava os copos dentro de uma encardida bacia de alumínio encima de uma pequena mesa no canto. Pedi-lhe dose de conhaque quando começou a chover. E um homem entrou com suas duas pesadas sacolas de compras... a camisa molhada, , o rosto vermelho como um tomate. Ele era alto e robusto como uma geladeira e um olhar sério. Colocou as sacolas na mesa e se aproximou do balcão.. Sr Pinheiro pegou uma garrafa de cachaça da prateleira e encheu o copo. O homem tomou a bebida, bebeu de uma só vez, lambeu os labios: - "Muito obrigado, meu amigo" – agradeceu em voz baixa. O Sr. Pinheiro sacudiu a cabeça e voltou a lavar os copos, mas deixou a garrafa no balcão. Levantei-me e me concheguei do homem com o copo vazio. – “Как дела?(como vai?) “ Expressei-me em russo, observando-o. O Sr. Pinheiro parou de lavar lançou olhar estupefato . O homem também me olhou surpreso: - " Здравствуйте! Как тебя зовут?( Olá! Qual o seu nome? )" - " Меня зовут Джозеф, сэр, и вы? (Meu nome é Joseph, senhor, e você?)" – “Меня зовут Алекс.( "Meu nome é Alex!") Ele pegou o copo encheu e emborcou goela abaixo e passou a mão na boca para limpá-la. Trocamos um aperto de mão e brindamos nossa saúde. Fez um sinal para que sentássemos na mesa perto da porta, onde estavam suas sacolas. O Sr. Pinheiro ainda incrédulo pois a garrafa de pinga Aliança e dois copos voltou para atrás do balcão e continuou a limpar os copos. "-Мы будем говорить по-португальски, месье Джозеф? (Vamos falar em português, Seu Joseph?)" - " Ладно, не проблема, мистер Александре. (Ok, sem problema, Sr. Alexandre)" Ele era russo e veio da Sibéria. Seus pais eram fazendeiros e tinham muita terra e trabalhadores. Mas a grande revolução chegou, e com ela os bolcheviques requisitaram a terra para o estado. Seu pai vendeu tudo. Ele tinha muito dinheiro fugiram para um porto no Mar Báltico e de lá embarcaram num navio a vapor que os trouxe, para a América do Sul e desembarcaram na cidade de Buenos Aires. Lá deixou sua família e seguiu viagem para os Estados Unidos. Mas um defeito mecânico fez o navio ancorar aqui para reparos. Depois de alguns dias, resolveu permanecer gostou do clima e das pessoas, montou uma barraca na Praia do Desterro e começou uma nova vida. Conheceu uma mulher e se casou. Dessa união nasceram três filhos. Comprou um sobrado colonial na Travessa Feliz e alugou os quartos. Vivia uma vida tranquila ... Falamos sobre literatura russa, sobre Dostoievsky .... Era quase meio dia quando me lembrei do leite dos gatinhos. Então, levantei-me e desculpei. "Eu tenho que ir Sr. Alex, adeus”. Sai da taberna, peguei meu carro de mão e subi a rua Afonso Pena até o canto da rua Jacinto Maia, a contornei para a Rua de Estrela. Passei na frente do Convento das Merces e depois entrei na mercearia do Sr. Chico, na esquina da Rua 28 de julho. Comprei algumas coisas e rumei para o predio. Mãe Fome ouviu o som da porta e começou a latir. Peguei o carrinho de mão coloquei para dentro e fechei a pesada porta .Subi cautelosamente a escada.. Mãe Faim correu para cumprimentar-me. Ele cheirou as sacolas, agitou a cauda que bateu no chão. Eu fui olhar pequeninos na sala, estavam dormindo na caixa. Preparei a mamadeira, mas o resto, não lembro apaguei Acordei um pouco mais tarde. As luzes da rua estavam acesas Liguei a TV e acendi a lâmpada. Os pequeninos dormiam sobre a mãe Faim, ela os puxou para fora da caixa. Saí e desliguei a TV. Sentei-me na cadeira de balanço e comecei a ler "Le Petit Chose" de Alphonse Daudet. Depois enrolei um bom baseado e fumei muito lentamente olhando as estrelas ..... e comecei a escrever novamente

 
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efemero25
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