era tudo que restava
um molho de pétalas amassadas
marcadoras de páginas
esqueletos com membranas
esquecidos
que nunca ousaram voar
seriam apenas volume
a inchar o livro arrumado
e veio um vento de balouçar
até constipar as estantes
e dum espirro incontido
caiu, abriu-se em folheado
e todas se foram num sopro
quase todas partiram
algumas, teimosas, caseiras
colaram-se ás vidraças
a dizer-se de vitrais
filtros de luz solar
ficaram-se as palavras reclusas
oferecidas à prontidão dos olhares
a partir daí
soube que nunca me pertenceram
nem se lhes dissesse duma alma
que por ali passou
parou
e seguiu
elas sempre tiveram asas
15-01-2026