Poemas : 

Ladaínha da senhora do calcário

 


oh meu bom Deus valei-me
que caminho desamparada
nem bengala ou andarilho
me seguram nesta calçada

dizem que a portuguesa é bela
mas não me leva adiante
cinco passos e escorregadela
sem ninguém que me levante

oh meu Deus dai luz ao edil
holofotes ao gabinete
a iluminar-lhe as ideias
e que melhor piso projecte

cá ando cheia de negras
mazelas do meu calvário
a reforma não paga a pomada
gasta às contas do calcário

cada vez que ela acaba
lá tenho que ir à farmácia
dez tombos pra que lá chegue
e as dores da pertinácia

outros tantos dou na volta
cansei de me esbardalhar
oh meu Deus valei esta pobre
dai-me asas para voar

oh meu Deus mandai-me um anjo
que possa levar-me ao colo
senão mais vale que me deites
na cama abaixo do solo


25-02-2026


 
Autor
AlexandreCosta
 
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